A Civilização Inca – Resumo, Cultura, Sociedade e Economia

Na América do Sul, os Incas … Antes de os incas erguerem seu vasto e poderoso império na área andina da América do Sul, viviam nessa extensa região povos que se costuma denominar pré-incaicos.

Eles estavam distribuídos por toda a costa leste do continente, nas serras e no altiplano andino: os chavíns viviam nas serras peruanas; os manabis, no litoral do Equador; os chimus, no norte do Peru; e havia ainda os chinchas, mochicas, nazcas e outros. A maioria mantinha centros urbanos organizados, templos, agricultura diversificada, baseada no milho, na batata e em outros produtos, e alguns já domesticavam lhamas, vicunhas e alpacas. Talvez a grande demonstração do desenvolvimento desses povos pré-incaicos seja Tiahuanaco, um grande centro cerimonial que recebia milhares de pessoas.

Formação do Império

Os incas são originários de uma região entre lago Titicaca e a atual cidade de Cuzco, no Peru. A partir daí, os incas expandiram-se por uma área que abrangia desde o sul da Colômbia até o sul do Chile. Esse império chegou a reunir cerca de 15 milhões de pessoas, de povos com línguas, costumes e culturas diferentes.Durante a formação de seu império, os incas absorveram as diversas culturas das civilizações preexistentes, colocando-as a serviço da expansão e manutenção do império.

A vitória sobre os chancas, em 1438 d.C., liderada pelo jovem príncipe Yupanqui, marcou o início da formação do império. Ele ocupou quase todo o Peru, chegando até a fronteira do Equador. Seus sucessores expandiram o império para o altiplano boliviano, norte da Argentina, Chile (já no reinado de Tope Inca) e Equador, até o sul da Colômbia (conquistas de Huayana Capac).

A expansão foi interrompida em razão da disputa entre dois irmãos, filhos de Huayana: Huascar, que centralizou seu império em Cuzco, e Atahualpa, sediado em Quito. A rivalidade levou o império à guerra, enfraquecendo-o, e terminou com a vitória de Atahualpa.

A Organização da Sociedade

O Estado organizado pelos incas tinha fortes características imperiais. Tudo o que ocorria em sua vasta extensão territorial era rigidamente controlado.

O chefe desse Estado era o Inca, um imperador com poderes sagrados hereditários, reverenciado por todos. Ao lado do Inca havia uma rede de sacerdotes, que, assim como os historiadores oficiais, tinham também a função de ensinar e divulgar os mitos, as lendas e as histórias sobre o Inca.

Para manter o império íntegro, criou-se uma complexa burocracia administrativa e militar. Os cargos administrativos eram distribuídos entre membros da nobreza e acabaram adquirindo hereditariedade. O caráter guerreiro do império privilegiava a formação e educação militar. Como os burocratas, essa camada privilegiada era mantida graças aos tributos arrecadados pelo Estado.Para controlar a arrecadação dos tributos e o poder em cada cidade, aldeia e ayllu (terra doada pelo Estado, onde os camponeses trabalhavam coletivamente), existiam centenas de funcionários do Estado, cada qual com seus assistentes.

Os camponeses, em troca do direito de trabalho no ayllu, eram obrigados a cultivar as terras do Inca e dos funcionários públicos, assim como deviam pagar os impostos em mercadorias. Além disso, o Estado os obrigava a trabalhar nas obras públicas, como as pirâmides, os caminhos, as pontes, os canais de irrigação e terraços. Fazia-se a extração de minério através da mita, isto é, trabalho compulsório, baseado na rotatividade de mão-de-obra fornecida pelas aldeias e não remunerado – os trabalhadores recebiam em troca apenas alimentos (os espanhóis acabaram adotando esse sistema de trabalho durante a colonização).

Havia ainda os artesãos especializados e os yanaconas, originários da cidade de Yanacu e condenados à escravidão. Às vezes, algum povo conquistado também era escravizado. A mão-de-obra assim obtida destinava-se ao trabalho doméstico, e não à produção.

Economia e Planejamento

Todas as terras do império pertenciam ao Inca; logo, ao Estado. Por meio da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos camponeses para sua subsistência. A base da produção agrícola era o milho, seguido pela batata, pelo tomate, pela abóbora e pelo amendoim. Nas áreas mais altas, nas quais a obtenção de água era difícil, o milho tinha de ser plantado nos terraços feitos nas encostas das serras com canais de irrigação. Essa prática criou uma paisagem reconhecida como típica da civilização incaica.

A domesticação de llhamas, vicunhas e alpacas tornou-se crucial para o fornecimento de lã, couro e transporte. Os cachorros-do-mato e porcos tinham importância secundária. O comércio era muito precário e restringia-se basicamente aos bens de luxo destinados à corte.

Para controlar o império, o Estado inca mantinha constante censo populacional. Usava-se o equipo, uma espécie de elaborada calculadora manual, feita de cordões coloridos e nós. Esses censos constituíam a base do planejamento do Estado inca. Ele fornecia os dados necessários para o controle da relação entre população e arrecadação de impostos; o levantamento da necessidade de mão-de-obra para as obras públicas; o controle do crescimento demográfico; e até para o planejamento de deslocamentos da população para terras virgens, aliviando áreas de excessiva densidade demográfica (esse processo era chamado de mitamaes pelos espanhóis).

Esse imenso império, controlado de perto pelo Estado, precisou de uma infra-estrutura que permitisse a circulação de funcionários, mensageiros, impostos, populações, exércitos, etc. Para que isso ocorresse, foi construída uma incrível rede de pontes e caminhos lajeados. Ao longo desses caminhos havia os tambos, pequenas construções que continham alimentos e água, servindo de alojamento para os viajantes.

Cultura

Os incas dominavam avançadas noções de matemática (conheciam, inclusive, o zero) e dedicavam-se à astronimia, podendo prever eclipses e fazer calendários. Usavam pesos e medidas padronizados. Seu trabalho na manufatura do ouro, da prata e do cobre maravilhou os espanhóis. Além disso, produziam cerâmica, tecidos coloridos, esculturas e pinturas.

Talvez as maiores produções incaicas estejam relacionadas com a arquitetura e a engenharia. Por meio delas foi possível construir pirâmides, palácios, pontes e caminhos; cidades como Cuzco e Machu Picchu, que reuniam milhares de pessoas e mantinham uma rica ordem urbanística; e os famosos terraços irrigados nas montanhas para a produção agrícola.

Construída a 2400 metros de altitude entre as montanhas dos Andes, no Peru, Machu Picchu exemplifica a elaborada engenharia incaica.

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