O período conhecido como Grécia clássica corresponde ao apogeu da cultura grega (principalmente de Atenas), interrompido pela conquista macedônica. Abrange acontecimentos que vão das guerras externas (contra os persas) às internas (Atenas x Esparta).
As Guerras Médicas
Os conflitos entre os persas e os gregos ocorreram basicamente em razão do expansionismo persa, empreendido por Dario I.
Os conflitos tiveram início quando a cidade de Mileto, localizada na Ásia Menor, revoltou-se contra o domínio persa e buscou a ajuda de Atenas. Dario I, rei da Pérsia, aproveitou-se do fato para declarar guerra a Atenas, iniciando a primeira Guerra Médica (os gregos chamavam os persas de medos). Essa guerra foi vencida por Atenas, sob a liderança de Milcíades, na batalha de Maratona (490 a.C.).A derrota persa enfraqueceu o império, que só teve condições de iniciar a segunda guerra em 480 a.C., com o filho de Dario, Xerxes. Na primeira batalha, os persas foram novamente derrotados. No ano seguinte voltaram a atacar Atenas, alcançando a vitória e destruindo parte da cidade; mas sua frota foi incendiada em Salamina. Graças a uma aliança de outras cidades gregas lideradas por Esparta, o exército persa foi derrotado quando se retirava por terra.
A Confederação de Delos
Com a justificativa de se prevenir de novos ataques externos, Atenas organizou uma grande aliança marítima entre diversas cidades gregas, chamada de Confederação de Delos. O acordo estabelecia a independência política e militar das cidades, mas estas eram obrigadas a contribuir com navios, dinheiro e soldados. Os aliados levaram a guerra às costas da Ásia e conquistaram as possessões persas na Ásia Menor. Como centro da confederação, Atenas foi muito beneficiada, impulsionando sua economia e cultura. Começava assim a hegenomia ateniense e seu período de apogeu.
Treinado sob severa disciplina, o guerreiro espartano, representado aqui em bronze, destacava-se pela coragem e perícia no combate. Seu adestramento começava aos 8 anos de idade, quando era entregue pela família aos cuidados do Estado.Péricles e o Apogeu de Atenas
A cidade de Atenas atingiu seu apogeu no século V a.C., durante o governo de Péricles, de 461 a 429 a.C. Nesse mesmo período, o escravismo chegou ao auge, propiciado condições econômicas para o desenvolvimento da cidade.
As reformas políticas de Péricles ampliaram a democracia ateniense, permitindo maior participação dos cidadãos mais pobres nas assembléias e nas decisões de governo. Com relação à política externa, ele conseguiu estabelecer um grande tratado de paz com a Pérsia.
A cidade foi reurbanizada e embelezada; foram construídos grandes monumentos; a produção artística e literária da época é fantástica. Por tudo isso, o século V a.C. é conhecido como a idade de ouro de Atenas.
Conflitos Internos e Decadência
Para se contrapor à hegemonia de Atenas, baseada na Confederação de Delos, Esparta organizou várias cidades na Liga do Peloponeso. Essa luta pelo poder na região desencadeou a Guerra do Pelopones, de 431-404 a.C.
Após várias batalhas entre as duas alianças lideradas por Esparta e Atenas, os espartanos saíram vitoriosos em 404 a.C., com a invasão e destruição de Atenas. Isso significou o fim da hegemonia dessa cidade e, conseqüentemente, da democracia ateniense. A aristocracia, aliada dos espartanos, voltou ao poder; Esparta assumiu a liderança política da Grécia.
O domínio espartano não durou muito. Os conflitos internos eram constantes, enfraquecendo o poder de Esparta. Em 371 a.C., essa cidade teve que enfrentar Tebas e foi derrotada.
Até 362 a.C. a cidade-Estado de Tebas manteve fragilmente seu poder. Nesse ano foi derrotada por uma coligação de várias cidades gregas liderada por Atenas e Esparta. Esses conflitos internos acabaram enfraquecendo o mundo grego e decretando o fim da pólis. Em 338 a.C., Filipe II, rei da Macedônia, região ao norte da Grécia, conquistou Tebas, iniciando o domínio macedônico.
A Cultura Grega
A produção cultural da sociedade grega foi determinante para a formação do universo mental do Ocidente. Até hoje, a filosofia, a política, a matemática, a medicina, a estética e o teatro guardam profundas influências da produção intelectual dos gregos.
Filosofia, Ciências e Artes
Até mais ou menos o século VII a.C., os gregos explicavam a realidade à sua volta por meio dos mitos. Durante o século VI a.C., começaram a ver a natureza e as relações humanas de forma mais realista e reflexiva. O grande passo, no entanto, foi dado no século seguinte, pelos sofistas.
O sofismo não foi uma escola filosófica, mas uma orientação genérica. Os princípios gerais dessa orientação eram os seguintes: o conhecimento deve se concentrar nos problemas do homem (Protágoras, um dos mais destacados sofistas, dizia que ‘’o homem é a medida de todas as coisas’’); as noções dominantes de verdade, justiça, bondade e moral deveriam ser relativizadas. O principal instrumento dos sofistas era a retórica, ou seja, a arte de expressar-se por meio da palavra. Na assembléia, os cidadãos atenienses necessitavam de uma técnica discursiva que os habilitasse a defender seus interesses de maneira a convencer os ouvintes. Os sofistas procuravam satisfazer essa necessidade, tanto elaborando esse tipo de discurso para os cidadãos quando ensinando-os a prepará-los. Assim, tinham uma preocupação com a sistematização do ensino, voltada para a formação de cidadãos aptos a viver na democracia ateniense de então, sendo avessos à educação tradicional, destinada a formar atletas e guerreiros.
Os grandes filósofos gregos que iriam influenciar todo o pensamento racionalista ocidental viveram nos séculos V e IV a.C. Sócrates, um dos oponentes dos sofistas, foi um constante questionador; sua frase ‘’só sei que nada sei’’ resume bem sua forma de encarar o conhecimento como investigação permanente. Nada escreveu, mas transmitiu os ensinamentos aos seus discípulos. Acusado de corromper a juventude e renegar os deuses, foi julgado e condenado à morte. Plantão, o melhor discípulo de Sócrates, transcreveu a defesa de seu mestre diante do tribunal.
Diferentemente de seu mestre, Plantão fundou uma escola fixa, a Academia de Atenas, para onde se dirigiam discípulos de toda a Grécia. Para ele existiam noções e idéias perfeitas que dirigiam todas as coisas do universo, inatingíveis para a maioria dos homens, mas que deveriam ser buscadas pelos filósofos.
Aristóteles, discípulo de Platão, é considerado o maior pensador grego de todos os tempos. Seu trabalho atingiu áreas diversas, como a lógica, a política, a estética, a filosofia e as ciências. Ao observar a natureza, constatou que ela estava em constante movimento (nascimento, transformação e destruição). Diferentemente de Platão, ele acreditava que as idéias e a abstração deveriam partir da matéria, da realidade concreta, e não o contrário.
As primeiras reflexões sistemáticas sobre a História também foram produzidas na Grécia, por Heródoto, o ‘’pai da História’’. Tucídides deu continuidade à obra de Heródoto, ampliando a noção de História e a prática do historiador.
As contribuições às ciências também foram importantes. Matemáticos como Tales (da cidade de Mileto), Pitágoras, Euclides, Hipócrates (considerado o pai da Medicina), entre tantos outros astrônomos e físicos, marcaram a história do conhecimento das ciências ocidentais.
Supõe-se que o teatro grego tenha surgido das festas a Dioniso. Havia dois tipos de espetáculos: a tragédia e a comédia. Os grandes dramaturgos gregos escreveram tragédias: Ésquilo (autor de Os persas e Prometeu acorrentado), Sófocles (Édipo, Electra e Antígona) e Eurípedes (As troianas, As bacantes e Medéia). O maior autor de comédias foi Aristófanes (As nuvens, As rãs).
A primeira expressão literária dos gregos foi o poema épico. Nesse gênero destacaram-se Homero, com a Ilíada e Odisséia, e Hesíodo, com a Teogonia.
As artes plásticas na Grécia tinham caráter público, mesmo quando não eram financiadas pelos Estado, o que era raro. A escultura seguia os princípios gregos de harmonia e equilíbrio das formas. O ser humano geralmente era a figura e a temática central. Fídias, Lisipo, Miron e Policleto foram os maiores escultores gregos.
A arquitetura encontrou sua maior expressão na construção de templos e palácios. Três estilos marcaram a arquitetura grega: o dório, o jônio e o coríntio. O primeiro caracteriza-se pela sobriedade, o segundo pela leveza e elegância e o último pelos detalhes dos ornamentos.
Religião
Politeístas, os gregos cultuavam deuses que tinham formas humanas, virtudes e defeitos, apenas se diferenciando dos homens por serem imortais. A vida humana e a natureza eram regidas pela vontade e determinação desses deuses; cada um deles representava um aspecto das atividades humanas ou da natureza. Ao contrário do que ocorre nas tradições hebraicas, a idéia de salvação da alma e de um salvador dos homens não fazia parte do universo religioso grego.