A Origem da Vida – Espécies, Humanos e Animais

Segundo os cientistas atuais, nosso planeta existe há mais de 4 bilhões de anos. Ele já foi habitado por muitos seres diferentes, como os dinossauros, que desapareceram há mais de 60 milhões de anos. Nós, os seres humanos, existimos há pouco mais de 3 milhões de anos.

1. ESPECIAÇÃOEspécie é o conjunto de indivíduos capazes de produzir descendentes férteis. O que vamos estudar agora é como se dá a formação de novas espécies (especiação). Dois são os processos envolvidos na especiação: anagênese e cladogênese (Figura 1).

A anagênese envolve processos onde uma determinada característica pertencente a uma determinada população, surge ou se modifica com o passar do tempo levando à formação de novas características evolutivas. A mutação e a permutação são exemplos de processos anagênicos.

ReproduçãoFigura 1.

Processos de Especiação.

Atualmente, o processo aceito para explicar a especiação é denominado de cladogênese. Segundo este processo novas espécies surgem do resultado de diversificação ocorrida por uma espécie ancestral. Segundo a especiação por cladogênese há dois processos envolvidos: especiação alotrópica e simpátrica.A especiação alotrópica envolve o isolamento geográfico e consequentemente o isolamento reprodutivo. O isolamento geográfico é o processo de separação entre espécies de uma mesma população criadas por barreiras geográficas como, por exemplo, a formação de montanhas ou até mesmo alterações climáticas. Uma vez separadas por estas barreiras a troca de genes entre os membros deixará de ocorrer e, se por acaso houver alguma mutação, esta não será compartilhada com os demais indivíduos. Após um período de isolamento geográfico caso as populações, que antes eram apenas uma, se tornarem tão diferentes uma da outra, a troca de genes entre elas não mais ocorrerá caracterizando o chamado isolamento reprodutivo.

O isolamento reprodutivo é um fator de extrema importância para explicar a enorme diversidade animal. Os principais mecanismos que podem levar ao isolamento reprodutivo são:
a) Isolamento pré-zigótico: são formas de isolamento que impedem a fecundação. Isso pode ser provocado por diferenças na época reprodutiva, ocupação diferencial de hábitats, diferenças nos órgãos reprodutores e mortalidade dos gametas.

b) Isolamento pós-zigótico: são formas de isolamento que, apesar de haver a fecundação, por algum motivo ocorre a morte do embrião. Isto pode ocorrer devido à fecundação entre indivíduos de espécies diferentes, pela esterilidade do híbrido (mula e burro originando o jumento) ou pela mortalidade do zigoto.

A especiação simpátrica explica o surgimento de novas espécies sem que haja isolamento de uma população. Neste caso, fala-se, por exemplo, em seleção disruptiva ou em mutações cromossômicas.


2. TEMPO GEOLÓGICO

 

A história da vida na Terra ocorreu em um intervalo denominado de tempo geológico. Este tempo é dividido em eras geológicas que são quatro: Era Pré-Cambriana, Era paleozóica, Era mesozóica e a Era Cenozóica. Vamos agora fazer um breve resumo dos principais acontecimentos biológicos ocorridos em cada uma destas eras.A era pré-cambriana durou de 4 bilhões de anos atrás até 570 milhões de anos atrás. Os principais acontecimentos desta época foram:


a) origem da vida (3,5 bilhões de anos atrás);

b) origem da fotossíntese (2,5 bilhões de anos atrás);

c) origem dos eucariontes (2 bilhões de anos atrás).

A era paleozóica durou de 570 milhões de anos atrás até 245 milhões de anos atrás. Esta era é dividida em 6 períodos. Nesta era os principais acontecimentos foram:

a) Surgimentos dos primeiros vertebrados (peixes, anfíbios e répteis);

b) Surgimento das plantas pteridófitas e gimnospermas;

 

A era mesozóica durou de 245 milhões de anos atrás até 66 milhões de anos atrás. Os principais acontecimentos foram:


a) Surgem as aves e os mamíferos;

b) Diversificação e extinção dos Dinossauros;

c) Surgimento das angiospermas;

 

Por último a era cenozóica vai de 66 milhões de anos atrás até o presente. Os principais acontecimentos foram:


a) Expansão e diversificação das angiospermas;

b) Diversificação e expansão dos mamíferos;

c) Surgiram os Hominídeos onde uma das espécies originou o Homo sapiens.

 

Esquema - Acontecimentos Biologicos
ReproduçãoFigura 2:

Esquematização dos Principais Acontecimentos Biológicos.


3. EVOLUÇÃO HUMANA

 

Charles Darwin foi o primeiro a propor a ancestralidade comum entre homens e macacos. Hoje, estudos comprovam as idéias originais de Darwin. Estudos genéticos mostram, por exemplo, que temos um parentesco molecular muito semelhante com os grandes chimpanzés.A espécie humana é atualmente classificada, junto com outras espécies na ordem Primata daclasse Mammalia. Acredita-se que os primatas tenham surgido a 70 milhões de anos atrás. As principais características evolutivas dos primatas foram: membros superiores ágeis e fortes, visão binocular, articulações com grande mobilidade e a adaptação à vida em sociedade.

O primeiro grupo de primata considerado antecessor direto do gênero humano foram os australopitecos. Este grupo teria vivido na África e teriam como principais características dentição primitiva, mas sem caninos salientes e com incisivos largos; as mãos não eram usadas para andar como nos grandes símios atuais; bacia larga e em forma de cesto, como num ser bípede e altura entre 1 metro a 1, 50.

Após os australopitecos teriam surgidos os primeiros seres do grupo Homo. Esta mudança estima-se os pesquisadores, teria ocorrido devido a mudanças ambientais bruscas na África. O primeiro grupo foi o Homo erectus, que migraram da África para a Ásia e a Europa. Eles dominavam o fogo, possuíam uma estatura maior e já se utilizavam de armas para a caça. Com a extinção deste grupo surge o Homo sapiens, que apresentavam como característica marcante o alto desenvolvimento do sistema nervoso.

 

Populações Filogenia - Biologia
Reprodução


Figura 3. Biologia das Populações, Filogenia.


A espécie humana, no que se refere às suas características é um conjunto biológico homogêneo. Entretanto, para alguns autores a espécie humana seria polimórfica, ou seja, apresentariam várias formas o que acaba por originar o conceito de raça humana.

Existem várias classificações de raças humanas, mas geralmente existem 4 grupos básicos:
a) Caucasianos – europeus, norte-americanos e árabes, até á Índia. Estas populações apresentam caracteristicamente pele e olhos claros, com exceção dos mediterrânicos, nariz estreito, lábios delgados e cabelo liso ou ondulado;b) Australóides – aborígenes e povos com eles relacionados, que apresentam pele escura, variando do tom azeitona até ao quase negro, cabelo encaracolado, olhos escuros e nariz largo;

c) Mongolóides – pele amarelada, cabelos lisos, nariz de forma variada, rosto largo e achatado, olhos com prega epicântica na pálpebra superior (cuja função é proteger do clarão ofuscante da neve). Deste grupo derivam os índios americanos e os esquimós, através de populações que teriam migrado através do estreito de Behring;

d) Negros – pele escura, variando do tom acastanhado ao quase negro, nariz achatado, olhos escuros e cabelos crespos.


Existem duas teorias que tentam explicar estas diferenças morfológicas entre as populações humanas: Hipótese policêntrica onde a formação da atual população humana efetuou-se em vários territórios relativamente independentes, onde vários tipos de H. erectus teriam dado origem aos principais tipos atuais; Hipótese monocêntrica o Homem atual terá surgido num território único, numa região entre a Ásia central e o nordeste africano, onde teria ocorrido o cruzamento de numerosos hominídeos, entre eles o H. erectus e H. sapiens, o que teria enriquecido o seu patrimônio genético. Só posteriormente se teriam formado as várias populações geográficas, que originaram as raças. Atualmente sabe-se que a cor da pele, por exemplo, um dos critérios mais importantes na classificação das raças humanas, resulta apenas da quantidade variável de melanina na pele. Verifica-se, portanto, uma variação quantitativa e não qualitativa, para não falar do espectro de variação dentro da mesma raça, que é muito maior que a variação entre raças. Sabemos que uma boa classificação se deve basear num conjunto de caracteres representativos, mas no caso humano, os caracteres utilizados não variam dentro das raças de modo correlacionado. Outro aspecto a salientar é a utilização do termo subespécie á população humana, pois este termo só pode ser aplicado a populações que mostrem uma concordância acentuada dum numeroso conjunto de caracteres distintivos, o que não é o caso do Homem. De todos estes argumentos pode concluir-se que as raças humanas não têm qualquer significado biológico.

Sobre admin