Reprodução é a capacidade que os seres vivos têm de gerar outros seres semelhantes a si mesmos. É por meio da reprodução que as espécies se mantem através dos tempos. É ela que explica porquê, em condições normais, um ser vivo morre, mas a espécie não desaparece.

ReproduçãoA Reprodução e os Órgãos Reprodutores.
1. REPRODUÇÃO
1.1 – REPRODUÇÃO ASSEXUADA



Reprodução


Figura 5. Esquema de Reprodução por Esquizogonia.
1.2 – REPRODUÇÃO SEXUADA
Evolutivamente a reprodução sexuada é mais vantajosa que a reprodução assexuada. A troca de material genético entre os indivíduos da mesma espécie permite que haja uma maior variabilidade genética que, por conseqüência, fornece uma taxa maior de sobrevivência. Dois eventos na meiose contribuem para a diversidade genética: crossing-over e distribuição independe dos cromossomos.
Os organismos que se reproduzem sexuadamente podem ser chamados de dióicos, ou seja, são os que apresentam sexo separado, ou de monóicos, que se apresentam com os dois sexos. Os gametas que são formados durante a reprodução sexuada podem ter formas e tamanhos semelhantes, sendo denominado de isogamia. Entretanto, na maioria das espécies, como na espécie humana, por exemplo, os gametas apresentam diferenças em formas e tamanhos, sendo denominados de heterogamia (anisogamia).
2. GAMETOGÊNESE
A gametogênese é o processo de formação dos gametas masculinos (espermatogênese) e dos gametas femininos (ovulogênese). As células que dão origem aos gametas são denominadas de células germinativas (2n). No caso da formação dos gametas masculinos (espermatozóide), as células germinativas são as espermatogônias. Na formação dos gametas femininos (óvulos), as células germinativas são as ovogônias.
A partir de agora iremos estudar tanto a gametogênese masculina quanto a gametogênese feminina. Neste primeiro módulo veremos a gametogênese masculina e todo o sistema reprodutor dos homens.
2.1 – GAMETOGÊNESE MASCULINAPara entender melhor sobre a produção de gameta masculino (espermatozóide) é necessário que saibamos mais sobre o aparelho reprodutor masculino. O aparelho reprodutor masculino é formado por: Testículos (gônadas); epidídimo, canal deferente, uretra, escroto, pênis e glândulas anexas.
O produto final do aparelho reprodutor masculino é denominado de sêmen. Além do espermatozóide, o sêmen contém uma complexa mistura de fluidos e moléculas que mantém o espermatozóide e facilita a fertilização. Os espermatozóides são responsáveis por menos de 5% do volume total do sêmen.

Na maioria dos vertebrados, como os peixes, anfíbios e répteis, os testículos ficam retidos dentro da cavidade corporal, mais precisamente na cavidade abdominal. Esse fenômeno pode acontecer durante ou após o nascimento. Como os mamíferos são animais homeotérmicos e têm uma temperatura corporal alta esse posicionamento peculiar dos testículos é uma adaptação termorregulatória, pois a espermatogênese é sensível à temperatura superior a 36,5 oC. Por isso, os indivíduos cujos testículos não desceram sofrem de criptorquidia e esterilidade. Assim, a temperatura testicular ideal é de 1 a 3ºC abaixo da corporal e, em dias frios, os sacos são puxados junto ao corpo graças à atividade muscular reflexa do músculo cremáster. Entre os mamíferos primitivos e naqueles cuja temperatura corporal é mais baixa os testículos ficam retidos no abdômen ou na pelve (Nishida, 2006).
Os testículos são constituídos por inúmeros túbulos seminíferos, ou também chamados ductos seminíferos. Esses ductos são formados pelas células de Sertoli (únicas células somáticas) e pelo epitélio germinativo, onde ocorrerá a formação dos espermatozóides. As células de Sertoli são células que garantem o apoio mecânico e a nutrição, além da produção de determinadas enzimas e hormônios (estrogênio). Em meio aos ductos seminíferos, as células intersticiais ou de Leydig produzem os hormônios sexuais masculinos, sobretudo a testosterona, responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e dos caracteres sexuais secundários.

As VESÍCULAS SEMINAIS são responsáveis pela produção de um líquido que fará parte da constituição final do sêmen. O líquido das vesículas seminais age como fonte de energia para os espermatozóides e é constituído principalmente por frutose, e prostaglandinas (hormônios produzidos em numerosos tecidos do corpo). As principais GLÂNDULAS ANEXAS são: a próstata, cuja função é secretar substâncias alcalinas que neutralizam a acidez da urina e ativa os espermatozóides; e as glândulas bulbo-uretral que atua na produção de uma substância transparente durante a excitação sexual.
O PÊNIS é uma estrutura considerada como o principal órgão do aparelho reprodutor masculino. É formado por uma estrutura denominada de glande, que determina o fim do canal da uretra. Outra estrutura é o prepúcio, que é a fina camada de pele que recobre o pênis. Quando a glande não consegue ser exposta devido ao encurtamento do prepúcio, provoca o que chamamos de fimose. Algumas religiões retiram do recém nascido o prepúcio, processo denominado de circuncisão. A URETRA é um canal por onde desemboca a urina. Os músculos encontrados na entrada da bexiga impedem que a urina se misture ao sêmen.
Agora que já conhecemos as principais estruturas do aparelho masculino, veremos agora como se dá a regulação hormonal nos homens.
Ao chegar a puberdade, os testículos do homem começam a ser estimulados pelos hormônios gonadotróficos (FSH e LH) da glândula hipófise (pituitária). O FSH atua estimulando as células de sertoli a promoverem a espermatogênese. O LH atua estimulando as células de Leydig a sintetizarem e a excretarem a testosterona. A testosterona age produzindo diversos efeitos: atua no crescimento dos testículos; na formação dos órgãos sexuais masculinos e nos caracteres secundários como produção de pêlos, produção de uma voz mais grave, etc; controla a produção de espermatozóides; promove o impulso sexual. Na ausência da testosterona o indivíduo apresenta características sexualmente infantis.
Feito o estudo do aparelho reprodutor masculino, suas estruturas e os hormônios envolvidos, veremos a partir de agora como se dá o processo de formação dos espermatozóides.
Como vimos anteriormente, o processo de formação dos espermatozóides é denominado de gametogênese masculino ou também chamado de espermatogênese. É um processo que se divide em 4 fases ou períodos: período germinativo; período de crescimento; período de maturação e período de diferenciação.
Durante o primeiro período, o PERÍODO GERMINATIVO, uma célula germinativa diplóide (2n), sofre o processo de divisão por mitose, originando células também diplóides (2n), as espermatogônias.
No segundo período, o PERÍODO DE CRESCIMENTO, cada espermatogônia diplóide passará por um processo de crescimento onde há o aumento do seu volume celular. Essa nova célula maior passará a ser chamada de espermatócito I (2n). Nesse período não há divisão celular.
Com isso, essa nova célula entra no terceiro período da espermatogênese, o PERÍODO DE MATURAÇÃO. Durante esse período o espermatócito I (2n) sofre uma divisão reducional meiose I, originando duas células filhas, entretanto, com a metade do número de cromossomos (n). Essas células passam a se chamar de espermatócitos II.
Cada espermatócito II passará por uma segunda divisão, só que agora uma divisão equacional meiose II, onde cada célula dará origem a duas outras células também haplóides (n), as espermátides. As espermátides passarão agora pelo PERÍODO DE MATURAÇÃO, onde darão origem a milhões de espermatozóides (espermiogênese). Durante a formação de espermatozóides, as principais organelas envolvidas são: complexo de golgi, núcleo e centríolos.


Para entender melhor sobre a produção de gameta feminino (óvulo) é necessário que saibamos mais sobre o aparelho reprodutor feminino. O aparelho reprodutor feminino é formado por: 2 ovários, 2 tubas uterinas (trompas de falópio), 1 útero, 1 vagina, 1 vulva.

A VULVA é a genitália externa, e é protegida pelos grandes lábios, que na mulher madura são recobertos por pêlos pubianos. Na vulva também encontramos os pequenos lábios e o clitóris.
Os OVÁRIOS são as gônadas femininas. São responsáveis pela produção dos óvulos, e pela produção de hormônios femininos: estradiol e progesterona. TUBAS UTERINAS são dois ductos que unem o ovário ao útero. Formado por epitélio ciliar, os cílios auxiliam no transporte do gameta feminino até o útero. O ÚTERO é um órgão oco revestido internamente pelo endométrio.
Mas como se dá a regulação hormonal feminina? A mulher passa por um ciclo ovariano denominado de ciclo menstrual. O ciclo menstrual inicia-se com o primeiro dia da menstruação que representa a eliminação do ovócito II não fecundado e do revestimento do endométrio que é liberado pela vagina. Ela ocorre pelo fato do ovário reduzir muito a secreção de hormônios. A menstruação é um período que varia, geralmente, entre 3 a 7 dias. O ciclo menstrual é o período compreendido entre o início de uma menstruação até o início da próxima menstruação, e dura cerca de 30 dias.
Esse aumento súbito do LH faz com que haja a liberação do óvulo pelos olículos ovarianos. Essa etapa ocorre por volta do 14º do ciclo. A ovulação leva a formação do corpo lúteo (corpo amarelo) que secreta quantidade elevada de progesterona e uma quantidade considerável de estrógeno. Com a produção de progesterona e estrógeno, o FSH e o LH tendem a diminuir, diminuindo assim a produção do corpo lúteo. Com a queda na produção do corpo lúteo, a taxa de progesterona e estrógeno também começa a cair, provocando a descamação da mucosa uterina, ou seja, a menstruação.


A ovogênese é um processo com algumas diferenças básicas para a espermatogênese. Na ovogênese não há o período de diferenciação. Bem o processo pode ser resumido da seguinte forma: Inicialmente uma célula germinativa (2n) passa por uma divisão celular, mitose, e acaba por formar várias células também 2n, denominadas de ovogônias.
Essas células acabam por se multiplicar formando várias células, caracterizando o PERÍODO DA MULTIPLICAÇÃO. Algumas dessas ovogônias entram em um segundo período, o PERÍODO DE CRESCIMENTO, onde ocorre o aumento do material de reserva sem, entretanto, haver divisão celular. Essas células que cresceram passam a se chamar agora de ovócitos I. Esse processo de crescimento é interrompido no parto e retorna no início da puberdade.
O ovócito I sofre uma divisão reducional, a meiose, formando duas células agora haplóides (n) A maior delas é o ovócito II, e a menor delas recebe o nome de corpúsculo polar. Inicia-se agora o PERÍODO DE MATURAÇÃO. Em caso de fecundação, a mulher libera do ovário o ovócito II. A penetração do espermatozóide estimula o ovócito II a continuar o processo de meiose, e esta célula se transforma em óvulo.

| CARACTERÍSTICAS | ESPERMATOGÊNESE | OVULOGÊNESE |
| Duração do Processo | Contínuo | Relacionado ao Ciclo Menstrual |
| Produto Final | Milhares de Espermatozóides |
Um óvulo por ciclo e 3 corpúsculos polares |
| Célula | O Espermatozóide é bem menor |
O óvulo é uma célula maior |
| Duração | A produção ocorre até a velhice | Cessa com a menopausa |
3. FERTILIDADE
Existem muitas razões que podem levar um casal a não terem um bebê. A taxa de produção de espermatozóide do homem pode ser baixa ou terem pouca mobilidade. Nas mulheres, o muco produzido pode ser espesso e não permitir o deslocamento de espermatozóides. Há outros motivos, como motivos estruturais, por exemplo, a chamada endomitrose, que é a proliferação exagerada de células endometriais fora do útero.
A tecnologia reprodutiva mais antiga é a inseminação artificial que envolve a colocação do espermatozóide no lugar adequado para que a fertilização ocorra. É uma técnica bastante útil, principalmente quando a contagem de espermatozóide é baixa ou este não possui mobilidade.
Atualmente há técnicas mais avançadas como as tecnologias de reprodução assistida. Esta técnica consiste na remoção de óvulos não fertilizados, e união destes com o espermatozóide fora do corpo da mulher. A primeira técnica deste tipo foi a chamada fertilização in vitro onde a mulher é tratada com hormônios que estimulem a maturação dos folículos. Os óvulos então são colhidos da mãe e os espermatozóides dos pais. Estes são combinados em um meio de cultura fora do corpo e então, após a fertilização, são recolocados no local certo.