A Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi um dos momentos mais importantes do mundo contemporâneo, pois foi o primeiro país a derrubar sua monarquia absolutista (Antigo Regime). Para compreender melhor a revolução, estudaremos neste artigo um pouco sobre a França antes da revolução.

A Sociedade Francesa

A sociedade francesa era composta por cerca de 25 milhões de pessoas e dividia-se em três Estados ou Ordens: o clero, a nobreza e o terceiro estado, composto pela burguesia, artesãos e camponeses.

Primeiro Estado: Constituído pelo clero composto por cerca de 120.000 pessoas. Tinham inúmeros privilégios, além de receberem o dízimo.

Segundo Estado: Constituído pela nobreza, eram cerca de 350 mil pessoas. Existiam os nobres que ficavam no palácio junto ao rei e a nobreza dos campos, composta pelos senhores de terra.

Terceiro Estado: Formado pelo restante da população, totalizando aproximadamente 25 milhões, dividia-se em alguns grupos: camponeses, burguesia, artesãos e as camadas populares da sociedade.

A economia francesa também vivia uma série crise. Diversos problemas climáticos assolaram a França de 1784 em diante. Secas e chuvas trouxeram uma grande miséria. O sistema absolutista também mostrou-se inviável, pois as despesas se acumulavam desde o governo de Luís XIV. Outros fatores também contribuíram, como a Guerra dos Cem Anos, em que a Inglaterra derrotou a França e a entrada de tecidos ingleses na França, desbancando a indústria francesa.

Esse período foi o auge do pensamento iluminista, que nasceu na França inclusive, e as críticas ao regime monárquico e a exploração do trabalho aumentavam cada vez mais.

O Início da Revolução

Na realidade, a revolução iniciou-se por motivação dos próprios nobres, não que estes quisessem grandes transformações, pelo contrário, queriam alguém que pagasse mais impostos. Para tentar sanar os problemas financeiros da França, para os nobres, deveria ser convocada a Assembléia dos Estados Gerais para forçar o terceiro estado a pagar os novos tributos.

A Assembléia dos Estados Gerais era constituída por membros dos três estados e foi convocada pelo rei Luís XVI em maio de 1789. O que o rei não imaginava era que o terceiro estado tivesse maioria e a possibilidade de tomar decisões importantes.

Rapidamente, Luís XVI tentou controlar a situação dissolvendo a assembléia, mas esta não acatou as ordens do rei. O primeiro e o segundo estado queriam reunir-se em separado para votar os projetos de acordo com cada Estado. Os membros do terceiro estado, principalmente a burguesia, controlaram a situação e instituíram o voto por cabeça.

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A Assembléia Nacional Constituinte

Em 17 de junho de 1789 proclamou-se a Assembléia Nacional, que tinha por objetivo formular uma nova constituição para a França. Luís XVI mandou tropas para dissolver a assembléia, mas nesse momento a revolta já tomava as ruas de Paris: os populares enfrentaram as tropas. Os membros da assembléia, diante da situação, fizeram um juramento: ficariam reunidos enquanto não estivesse pronta a nova constituição.

Um mês após a proclamação da constituinte (14 de julho), a população revoltosa invadiu e tomou a velha prisão da Bastilha, que representava a opressão do governo de Luís XVI.

Em 26 de agosto do mesmo ano, a assembléia nacional proclamou a célebre Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Alguns dos principais itens foram:

A liberdade e a igualdade dos cidadãos perante a lei;

Direito à propriedade individual;

Liberdade de pensamento e de opinião.

A nova constituição da França foi concluída em 1791. Apesar da importância histórica e fazer transformações consideráveis, a nova constituição veio ao encontro dos interesses da burguesia, pois trazia muitas mudanças na questão dos direitos. Mudanças essas, que não trouxeram grandes melhorias para os camponeses e artesãos.

Da mesma forma que nos Estados Unidos, os franceses criaram os três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo. No entanto, o governo continuou nas mãos de Luís XVI.

Luís XVI era casado com a princesa austríaca Maria Antonieta que conseguiu o apoio do imperador da Prússia e da Áustria para invadir a França e acabar com a revolução. Em 1791, Luís XVI e Maria Antonieta tentaram fugir da França, mas foram interceptados na cidade de Varennes.

A partir daí, a ala mais radical dos revolucionários ganhou grande apoio, principalmente após a vitória dos revolucionários contra os exércitos austro-prussianos em setembro de 1792. A revolução passou para as mãos da ala radical, liderada por Marat, Danton e Robespierre. Em 20 de setembro de 1792 proclamou-se a República.

A República e a Convenção Popular

Com a proclamação da República, a assembléia nacional foi dissolvida e foi convocada a convenção nacional, que tinha por objetivo fazer uma nova constituição que realmente provilegiasse a maioria da população. Considerando esse período importantíssimo, os líderes da revolução mudaram o calendário e a proclamação da República foi considerado a ano I.

Na Convenção Nacional, os grupos dividiram-se em dois: os Girondinos, que representavam os interesses da burguesia e não queriam grandes transformações; e os Jacobinos que representavam a maioria da população e lutavam por medidas mais igualitárias.

Os jacobinos, liderados por Danton, Marat e Robespierre, com o apoio da população passaram a ter o domínio sob a situação. Iniciaram-se as perseguições a todos aqueles que discordavam do novo regime. Um dos primeiros a ser julgado e condenado à guilhotina foi Luís XVI em janeiro de 1793.

Novamente os exércitos austro-prussianos, agora com o apoio da Inglaterra e da Holanda, tentaram invadir a França. Foi criado o Comitê de Salvação Pública, para tentar controlar as fronteiras e das crises internas. Outro órgão criado foi o Tribunal Revolucionário, que julgava e condenava todos queles que discordavam do regime. Esse período também ficou conhecido como Terror, pois mais de 17 mil pessoas foram condenadas e quase 3 mil foram guilhotinadas. O governo republicano tornou-se uma verdadeira ditadura liderada por Robespierre, que mandou guilhotinar seus próprios companheiros, como Danton. em 1793.

Nesse período ditatorial, as principais medidas revolucionárias foram tomadas entre 1792 e 1794. Dentre elas, podemos destacar:

Inúmeras propriedades rurais foram confiscadas pelo governo e entregues aos camponeses.

Os bens do clero foram confiscados.

Criou-se a escola pública, onde poderiam estudar todos aqueles que não tinham dinheiro para pagar os estudos.

A Convenção Nacional encerrou-se em 1794, com a prisão e o guilhotinamento de Robespierre, em 27 de julho do mesmo ano. Os girondinos subiram então ao poder.

O Diretório Francês

A constituição ficou pronta em 1795, estabelecendo a continuidade da República, que seria controlada por cinco membros, formando um diretório.

Com a ascensão da burguesia ao poder, as novas medidas tomadas visavam a liberdade comercial e a expansão do poderio frânces. Após sofrerem diversas tentativas de invasão à França, os franceses iniciaram sua expansão territorial, tendo como destaque o jovem e brilhante militar Napoleão Bonaparte.

O diretório durou de 1795 a 1799. Foi um período de grandes agitações. Os jacobinos queriam o fim do diretório. Havia também um outro grupo que pretendia a volta da monarquia.

Para manter a situação sob controle, o diretório recorreu a Napoleão Bonaparte, pois o jovem militar era a pessoa que reunia as melhores condições para cumprir o papel desejado pela burguesia.

No dia 10 de novembro de 1799 (18 Brumário, de acordo com o calendário instituído pela revolução), Napoleão Bonaparte dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo, o Consulado. Assumindo o poder, Napoleão Bonaparte consolidou os interesses da burguesia e encerrou o período de turbulência em que vivia a França.


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