A Sociedade Hebraica – Cultura, Religião, Hebreus e Economia

Originalmente nômades, os hebreus viveram por muito tempo perto da cidade de Ur, na Mesopotâmia, até emigrarem e se sedentarizarem, por volta de 2000 a.C., na região da Palestina.

De acordo com a Bíblia, Abraão teria sido incumbido pelo Senhor de levar seu povo para Canaã (habitada pelos cananeus), a Terra Prometida (hoje a região da Palestina). Abraão casou-se com Sara e teve como filho Isaac. Por sua vez, Isaac teve como filhos Esaú e Jacó, este também chamado de Israel, nome do qual deriva a denominação israelita.

Essa terra pouco fértil, cortada pelo rio Jordão, com manancial insuficiente para irrigações, tornou a vida dessa população difícil. Inicialmente, a principal atividade econômica dos hebreus era a criação de gado. Depois, a agricultura ocupou, de forma gradativa, o lugar do pastoreio.Conflitos Políticos

A formação do Estado na sociedade hebraica foi bem diferente do que ocorrera até então. Se o Egito teve um grande Estado centralizado e a Mesopotâmia inúmeras cidades-Estados, entre os hebreus vigoravam cidades independentes e autônomas, sem grande força política, embora tenham experimentado, durante curto período, a centralização do poder, com a Monarquia Hebraica. Enfim, a situação política era de indefinição, em uma região cheia de conflitos.

Moisés e as duas tábuas da lei, em representação do século XV.

Por volta de 1800 a.C., as tribos hebraicas, vitimadas pela fome em razão de uma grande seca, migraram para o Egito, onde foram escravizadas. Só voltaram a ser livres quando Moisés, de acordo com a tradição, liderou a retirada do povo hebreu do Egito (Êxodo) em direção à Palestina, por volta de 1300 a.C. Durante essa travessia, ele teria recebido os Dez Mandamentos, no monte Sinai, diretamente de Deus.

A Centralização do Poder

A forma de organização política e social dos hebreus baseava-se nas tribos, lideradas pelos juízes ou patriarcas. Escolhido por essa comunidade, o patriarca era ao mesmo tempo chefe religioso (deveria mantê-la unida na crença de um deus) e militar (deveria ser um bom guerreiro). Talvez o juiz mais famoso desse período tenha sido Sansão, conhecio por sua força. No entanto, no retorno do Egito, as inúmeras lutas contra cananeus e filisteus, devido ao objetivo de se fixarem novamente na Palestina, impuseram a necessidade de um poder unificado, cuja concretização se deu com a criação da Monarquia Hebraica.O primeiro rei hebreu, Saul, iniciou a luta contra o povo filisteu, sendo substituído em seguida por um jovem guerreiro, Davi, que o derrotou finalmente (segundo a Bíblia, ele matou o ”gigante” filisteu Golias). Durante seu reinado, conquistou-se toda a Palestina, e a capital foi estabelecida em Jerusalém. Portanto, foi Davi quem conseguiu unificar as tribos da Palestina, submetendo-as a um poder centralizado.

O apogeu da Monarquia Hebraica ocorreu com Salomão, filho e sucessor de Davi. Durante seu reinado, a sociedade hebraica alcançou certo desenvolvimento econômico. A relativa centralização do poder do regime monárquico implicou a organização de uma burocracia e a sedimentação das diferenças sociais com a definição de uma aristocracia e de uma pequena elite proprietária. Para sustentar a estrututa desse Estado, o luxo da corte, as guerras, etc., foi preciso aumentar os impostos e a exploração da mão-de-obra livre de camponeses e de escravos, o que gerou muita insatisfação. Com a morte de Salomão, essa insatisfação se traduziu em inúmeras revoltas sociais.

A Fragmentação da Sociedade

Em face desse quadro, o sucesso de Salomão, seu filho Roboão, não conseguiu manter o Estado unificado, ocorrendo o cisma das tribos hebraicas. As tribos do norte não o aceitaram como rei e criaram o Reino de Israel, aclamando Jeroboão como rei e fazendo de Samaria a capital. Roboão criou o Reino de Judá, com a capital em Jerusalém. As revoltas e a divisão do reino facilitaram sua conquista pelos babilônios liderados por Nabucodonosor (586 a.C.), que transformou os hebreus em escravos (o Cativeiro da Babilônia). Com a conquista da Mesopotâmia pelos persas, os hebreus reconquistaram a independência em 539 a.C. Tiveram ainda de enfrentar os macedônios, por volta do ano 300 a.C., e os romanos, em 70 d.C. Esmagados pela força do Império Romano, os hebreus se dispersaram pelo mundo.

Religião

Apesar da pouca importância política e econômica do povo hebreu, seu papel na história da sociedade ocidental é determinante: entre os hebreus desenvolveram-se aspectos religiosos que influenciaram para sempre a cultura ocidental.

O processo evolutivo da religião entre os hebreus é bem diferente do que vimos até agora (vários deuses, antropozoomorfismo, magia, astrologia, oferendas, etc.). Partindo da monolatria (crença em vários deuses, mas adoração e culto a apenas um deles), a sociedade hebraica construiu uma religião monoteísta, para a qual só existe um Deus criador, sendo os outros meras falsificações. Foi apartir do século VIII a.C. que ela se consolidou, com a colaboração dos profetas.

Essa religião monoteísta tinha as seguintes características: crença na existência de apenas um Deus, criador do homem e da natureza (Javé); salvacionismo ou messianismo, já que seus seguidores esperam o salvador do povo, o Messias (para os cristãos, Cristo; os judeus ainda o esperam); e conteúdo ético, ou seja, um conjunto de normas e condutas ditadas por Deus às quais os seguidores devem observar (justiça, bondade, caridade, etc.).

Esse processo de instituição da religião monoteísta contribuiu profundamente para a formação de três religiões bastante presentes em nossos dias: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

A maioria das informações que temos sobre o povo hebreu provém da Torá, conhecida também como Pentateuco. Trata-se dos cinco primeiros livros do Velho Testamento, atribuídos a Moisés: o Gênese, o Êxodo, o Levítico, o Número e o Deuteronômio.

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