Anatomia das Plantas – Estrutura e Fisiologia Vegetal

Estrutura Interna da Raiz

a) Estrutura Primária da Raiz

Denomina-se estrutura primária ao padrão de organização dos tecidos de uma raiz que não apresentou crescimento em diâmetro (crescimento secundário). Esse padrão é encontrado, tipicamente, em raízes de monocotiledóneos e raízes jovens de eudicotiledôneas, logo acima da zona de maturação celular.

Em uma raiz com estrutura primária, podem-se distinguir, de fora para dentro, três conjuntos de células dispostos em camadas concêntricas: epiderme, córtex e cilindro vascular.A epiderme é a camada de células mais externa que reveste a raiz. Imediatamente abaixo dela situa-se o córtex, constituído por várias camadas celulares de parênquima. A camada celular mais interna do córtex, limítrofe com o cilindro vascular, é o endoderma.

O endoderma (do grego endon, dentro, e derma, pele) compõe-se de células bem encaixadas entre si, com reforços especiais nas paredes, denominados estrias casparianas. Esses reforços, constituídos por suberina, dispõem-se como uma faixa contínua ao redor das paredes laterais que conectam cada célula endodérmica às suas vizinhas.

As estrias casparianas vedam completamente os espaços entre as células do endoderma, de modo que, para penetrar no cilindro vascular, uma substância tem necessariamente de atravessar a membrana e o citoplasma das células endodérmicas, pois não há espaços permeáveis entre elas, como ocorre na maioria dos outros tecidos.

Ocupando toda a região central da raiz encontra-se o cilindro vascular, também chamado de cilindro central. Ele é delimitado por um tecido denominado periciclo (do grego peri, ao redor, e kykos, círculo), constituído por uma ou mais camadas celulares. As células do peri-ciclo podem readquirir a capacidade de divisão e assim originar meristemas secundários. Raízes laterais são formadas a partir da proliferação de células do periciclo, que rompem o córtex e emergem pela epiderme.

O cilindro vascular contém elementos condutores (xilema e floema), células meristemáticas e células parenquimáticas com uma disposição típica.

b) Estrutura Secundária da Raiz

A estrutura secundária da raiz ocorre na maioria das eudicotiledôneas e resulta da atividade conjunta de dois meristemas: o câmbio vascular e o câmbio da casca. O câmbio vascular (do latim vas-culum, pequeno vaso, túbulo) origina-se a partir de células do procâmbio situadas entre o xilema primário e o floema primário e também de células do periciclo. O câmbio da casca, ou felogênio, desenvolve-se a partir do periciclo.

As células do câmbio vascular formam uma lâmina entre os blocos de floema primário e de xilema primário. Ao se dividir, as células do câmbio vascular voltadas para o interior da raiz originam células que se diferenciam em elementos do xilema — traqueídes, elementos de vaso xilemático, parênquima e fibras esclerenquimáticas — constituindo o xilema secundário.

Células câmbio vascular voltadas para o exterior da raiz diferenciam-se em elementos do floema — células crivadas, tubos crivados, células-companheiras, fibras esclerenquimáticas e parênquimaticas —, constituindo o floema secundánrio. A atividade do câmbio vascular faz com que o cilindre vascular aumente progressivamente em diâmetro.

As células do câmbio da casca, dispostas inicialmente como uma lâmina ao redor do periciclo, originam novas células para a região mais interna e para a região mais externa da raiz. Células originadas mais internamente diferenciam-se em feloderma, e células voltadas para a superfície externa diferenciam-se em súber. Esse conjunto, como já vimos, constitui a riderme, o revestimento das raízes com crescimento secundário.

Estrutura Interna do Caule

a) Estrutura Primária do Caule

Um caule com estrutura primária apresenta-se vestido pela epiderme, abaixo da qual localiza-se o córtex. Este é formado por células parenquimáticas e por colênquima, que se distribui logo abaixo da epiderme, formando um cilindro contínuo e dá sustentação ao caule jovem.

Internamente ao cilindro de colênquima localizam-se células parenquimáticas dotadas de cloroplasto. Responsáveis pela cor verde dos caules-jovens. Mais internamente, localizam-se os tecidos condutores de seiva e, no centro, a medula caulinar, constituída por células parenquimáticas.

Os tecidos condutores de caules com estrutura primária organizam-se em feixes mistos, com floema na região voltada para o exterior da planta e xilema voltado para o interior. Esses feixes são denominados de fascículos (do latim, fasdculus, pequeno feixe), ou feixes liberolenhosos.

O modo como os feixes liberolenhosos distribuem-se no interior dos caules com estrutura primária varia entre as espécies, mas é possível distinguir três padrões básicos.

b) Estrutura Secundária do Caule

A estrutura secundária do caule decorre como nas raízes, da atividade de dois meristemas: o câmbio vascular e o câmbio da casca (ou felogênio). O câmbio vascular do caule origina-se de células do pro-câmbio que se mantêm indiferenciadas entre o xilema primário e o floema primário dos feixes e, também, a partir de células do parênquima localizadas entre os feixes. O câmbio vascular dispõe-se como um cilindro em torno da região central do caule, produzindo xile¬ma para o interior e floema para o exterior.

O câmbio da casca (ou felogênio) do caule surge a partir de uma camada de células corticais localizada imediatamente abaixo da epiderme. Sua atividade produz novas células que se diferenciam em feloderma para o interior e em súber para o exterior. Em muitas árvores, a atividade do câmbio suberógeno cessa depois de algum tempo e um novo câmbio surge mais internamente, passando a produzir nova periderme. A periderme antiga e morta passa a ser denominada ritidoma e, com o aumento do diâmetro do caule, racha-se e solta-se do tronco.

Cerne, Alburno e Anéis de Crescimento

O caule das árvores é constituído principalmente por xilema, uma vez que o câmbio vascular produz relativamente mais elementos xilemáticos que floemáticos. O xilema de uma árvore geralmente apresenta uma região central mais escura, o cerne, circundada por uma região externa mais clara, o alburno.

O cerne é formado por xilema inativo, cujos vasos lenhosos estão fora de função e não transportam mais seiva bruta. Suas paredes celulares são impregnadas de corantes e resinas, que impedem a proliferação de microrganismos que poderiam apodrecer a planta. Por ser duro e resistente, o cerne fornece a madeira preferida para trabalhos de marcenaria. O alburno é formado por vasos lenhosos ativos, ainda envolvidos no transporte da seiva bruta das raízes para as folhas.

Um tronco de árvore cortado transversalmente mostra, em geral, círculos concêntricos em seu xilema conhecidos como anéis de crescimento ou anéis de xilema. Eles resultam da variação de atividade do câmbio vascular em resposta a alterações climática Os anéis de xilema são visíveis porque há uma grande diferença entre os vasos produzidos no final de um ciclo de crescimento e os produzidos no início do ciclo seguinte.

Quando está se encerrando um ciclo de atividade, o câmbio produz vasos xilemáticos mais finos e com paredes grossas, que constituem o xilema estival, ou xilema tardio. Ao retomar seu funcionamento depois de uma fase de repouso, o câmbio produz vasos de calibre grosso com paredes relativamente finas, que constituem o xilema primaveril, ou xilema inicial.

Em certas espécies, o número de anéis de crescimento corresponde exatamente ao número de anos de existência da árvore, pois, durante cada inverno, a atividade do câmbio é interrompida, sendo retomada na primavera.

Estrutura Interna da Folha

Uma folha é totalmente revestida por epiderme, sobre há uma cutícula responsável pela relativa impermeabilização da superfície foliar. De espaços em espaços, a epiderme apresenta estruturas denominadas estômatos, localizados principalmente na face inferior da folha. O interior da folha, denominado mesófilo, é preenchido por um tecido parenquimático cujas células são ricas em cloroplastos, constituindo o parênquima clorofiliano, ou clorênquima. Além disso, o mesófilo contém tecidos condutores organizados em feixes liberolenhosos e tecidos de sustentação.

Os feixes condutores da folha, associados ou não a tecidos de sustentação, formam as nervuras foliares. Eles são prolongamentos dos feixes do caule e apresentam o xilema voltado para a face superior da folha e o floema voltado para a face inferior. Na maioria das monocotiledôneas, as nervuras têm aproximadamente a mesma espessura ao longo de todo seu comprimento e dispõem-se paralelamente entre si. Por isso, folhas desse tipo recebem a designação de paralelinérveas. Nas outras angiospermas, as nervuras formam um padrão ramificado, com feixes sucessivamente mais finos, recebendo a denominação de folhas reticuladas, ou peninérveas.


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