Nasceu no ano de 1033, em Aosta (Itália), tendo sido elevado ao priorado em 1063. Morreu na data de 21 de abril de 1109, em Canterbury (Inglaterra). Faleceu quando procurava esclarecer a natureza e a origem da alma.
Das suas obras, mencionamos:
Monologion, que tem como objeto a essência divina. Contém as provas ontológicas da existência de Deus. Refere-se também à controversa questão da Trindade – Deus é único na sua natureza e triplo na sua pessoa.
Proslogion – Santo Anselmo investiga a possibilidade de existir um único argumento, que por si só seja suficiente para garantir a existência de Deus, e concebe-o então, como aquilo de que se não pode pensar algo maior, ou seja, aquilo que é maior do que o maior que se possa pensar – desta obra ressalta o que a partir de Kant é referido como argumento ontológico, e que foi retomado por S. Boaventura, Duns Escoto, Descartes e Leibniz e rejeitado por S. Tomás e Kant.
Da Verdade – Diálogo em treze capítulos, trata da verdade, que é a retidão da relação com Deus.
Da Liberdade de Escolha – Diálogo em 14 capítulos, demonstra que a liberdade é um poder – a vontade que não tem o poder de pecar é mais livre do que aquela que o tem.
É fundamentalmente conhecido pela prova ontológica da existência de Deus. Se Deus é o que de maior pode ser pensado, e se como tal esse objeto do pensamento não tem existência, outro como ele e que exista será maior. Assim o maior dos objetos do pensamento terá de existir, sob pena de ser possível a existência de um maior, ao que Deus existe.
A sua investigação é essencialmente religiosa, já que se entrega nas mãos de Deus para compreender. É pela fé que pretende atingir o conhecimento supremo. Pede a Deus que o ensine a procurá-lo e implora-lhe que se lhe mostre, já que o não pode procurar sem o seu ensino, nem encontrá-lo sem que se mostre. Crê para compreender.
Não procura entender para crer, mas crê para entender e tem a firme convicção de que se não acreditar primeiro, nada poderá compreender – se não temos fé nada poderemos entender. Por outro lado, a fé é uma exigência cuja validade deve ser demonstrada e validada pela razão.
Deus é um ser, acerca do qual, nada de maior ou de mais perfeito pode ser pensado. Está em todo o lado, para além do espaço e do tempo, vivendo um presente perfeito. Deus não é justo, mas é a própria justiça.
Criou o mundo do nada.
A Trindade é incompreensível. Usa a seguinte imagem para desvendar no possível, o seu mistério: Há uma fonte donde brotam águas, um rio que delas nasce e por fim um lago que as acolhe. A este conjunto, a estas três realidades, damos o nome de um rio, de Nilo. Apesar de serem realidades distintas, não lhes damos nomes diferentes. Há uma verdadeira trindade na unidade e uma unidade na diversidade.
No que toca à alma, Santo Anselmo segue Santo Agostinho. Ela é uma reprodução da Trindade, imortal, destinada a amar Deus. Tanto a justa quanto a injusta têm o atributo da imortalidade, mas os seus destinos são obviamente diversos, pois a primeira é premiada e a segunda eternamente punida.
Pai da Escolástica
Anselmo acreditava na capacidade da razão para investigar os mistérios divinos e propunha a prova ontológica da existência de Deus: se temos a ideia de um ser perfeito e se a perfeição absoluta existe, o ser perfeito logo existe. Para ele, todas as verdades cristãs eram filosoficamente demonstráveis.