Classificação dos Seres Vivos – Reinos

Da necessidade de ordenar para compreender, o ser humano classificou e agrupou os seres vivos segundo diversos critérios. Atualmente devido à forte influência da teoria evolutiva, que admite mudanças orgânicas resultantes de processos de seleção natural sobre a variabilidade herdada dos seres vivos, os quais são classificados segundo critérios filogenéticos que permitem seu arranjo em grupos que se relacionam através de padrões de herança e ancestralidade.

As categorias taxonômicas básicas são sete: espécie – gênero – família – ordem – classe – filo – reino, que refletem seu grau de parentesco e semelhança.

Categorias Taxonômicas
Reprodução

A espécie pode ser considerada como um conjunto de seres semelhantes presentes em determinado lugar e capazes de se reproduzir em condições naturais, produzindo descendentes férteis.

As espécies são relacionadas, pois descenderam, geração a geração, de ancestrais comuns. Espécies similares pertencentes a um mesmo gênero compartilham padrões de forma e função geneticamente determinados os quais são derivados de uma espécie ancestral única.

Todos os gêneros em uma família compartilham certos caracteres comuns uma vez que são derivados do mesmo estoque ancestral, o mesmo principio aplica-se à ancestralidade progressivamente mais remota através dos táxons superiores (ordem – classe – filo – reino) na classificação.

O nome de cada uma das espécies é padronizado segundo a nomenclatura binomial, que utiliza duas palavras em latim, pela qual cada ser vivo é identificado como pertencente a uma espécie, por exemplo, a onça-pintada, Panteras onça. O primeiro nome designa o gênero, o segundo a espécie.

Desde os tempos de Aristóteles e posteriormente de Lineu até meados do século XX, costumava-se classificar os seres vivos em dois reinos: o Reino Plantae (Reino Vegetal ou reino das plantas) e o Reino Animalia (Rei no Animal).

No reino das plantas estavam incluídos todos os organismos autótrofos fotossintetizantes, as bactérias não-fotossintetizantes e os fungos, considerados plantas aclorofiladas.No reino dos animais estavam incluídos os organismos heterótrofos, que em geral se deslocam no meio, capturam e ingerem ali mento. Esse grupo incluía os protozoários, que eram chamados animais unicelulares, e os metazoários, ou animais multicelulares.

Com os avanços da Biologia, surgiram novas propostas de classificação. Em 1938 e depois em 1956, Herbert Copeland (1902-1968) propôs um sistema de classificação dos seres vivos em quatro reinos:

• Monera: procariontes, como é o caso das bactérias;

• Protoctista: incluindo os unicelulares eucariontes heterótrofos, representados pêlos protozoários, os autótrofos, representados pelas algas unicelulares, e os multicelulares sem tecidos verdadeiros, como as algas multicelulares e os fungos;

• Metaphyta: plantas;

• Metazoa: animais.

Em 1959 e depois em 1969, numa versão mais completa e comentada, Robert H. Whittaker (1924-1980) apresentou uma nova proposta de classificação dos seres vivos em cinco reinos, modificando o sistema de Copeland. Segundo Whittaker, os reinos de seres vivos são:

• Monera: procariontes, representa dos pelas bactérias e cianobactérias;

• Protista: unicelulares eucariontes, incluindo nesse grupo os protozoários, que são heterótrofos, e as algas unicelulares, que são autótrofas;

• Fungi: fungos, unicelulares ou multicelulares heterótrofos que se alimentam por absorção de nutrientes do meio;
• Plantae: multicelulares autótrofos que realizam fotossíntese, incluindo nesse grupo as algas multicelulares e as plantas terrestres;

• Animalia: multicelulares heterótrofos que se alimentam por ingestão, incluindo todos os animais.

Em 1988, Lynn Margulis e Karlene Schwartz publicaram um livro no qual modificam o sistema de cinco reinos de Whittaker basicamente considerando, além dos unicelulares eucariontes, as algas multicelulares e os fungos portadores de flagelos como pertencentes ao Reino Protoctista.

Na década de 1980, o microbiologista Cari R. Woese propôs uma nova classificação dos seres vivos com base na análise do RNAr, um tipo de RNA presente em todos os seres vivos e, útil como base de comparação.
Nessa proposta, os seres vivos são classificados em três grandes grupos ou Domínios, uma categoria taxonômica criada por Woese e que é superior a reino. Esses domínios são Archaea, Bacteria e Eucarya.

Segundo essa proposta, os procariontes são muito diferentes entre si e formam dois domínios distintos. Por outro lado, todos os eucariontes são muito semelhantes entre si e formam um domínio único.

Além disso, os Archaea estão mais intimamente relacionados aos eucariontes do que às bactérias e provavelmente deram origem aos eucariontes. Estes estão representados pêlos reinos dos fungos, plantas, animais e vários outros reinos independentes, que são tratados no sistema de Whittaker no Reino Protista, e no de Margulis e Schwartz no Rei no Protoctista.

Assim, na proposta de Woese e em outras mais recentes, os Reinos Monera e Protista não existem, pois não são monofiléticos. Já os Reinos Fungi, Plantae e Animalia são monofiléticos. Nesses casos, empregam-se os termos monera e protista como coletivos, sem valor taxonômico.

A definição do Reino Fungi também difere entre os cientistas: alguns consideram nesse reino formas que possuem flagelos em seus ciclos de vida (chamados fungos flagelados), enquanto outros consideram esses organismos num reino distinto ou no Reino Protista.
Levando em conta o atual status da classificação dos seres vivos, em que ainda há pouco consenso sobre as definições dos reinos, vamos adotar por simplificação a classificação em cinco reinos, assim definidos:

• Monera: todos os procariontes, divididos em dois sub-reinos: Archaeobacteria e Eubacteria;

• Protista: eucariontes unicelulares heterótrofos (protozoários) ou unicelulares e multicelulares que não formam tecidos verdadeiros e que são autótrofos (algas);

• Fungi: eucariontes heterótrofos que se alimentam por absorção de nutrientes do meio; vamos considerar como fungos alguns grupos flagelados;

• Plantae: multicelulares autótrofos, com tecidos verdadeiros;

• Animalia: multicelulares heterótrofos que se alimentam por ingestão.

Além desses seres que têm estrutura celular, existem os vírus, formas particulares de vida que não são celulares e não estão incluídas em nenhum dos sistemas de classificação dos seres vivos.

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