A Poluição Ambiental – Efeito Estufa e Aquecimento Global

O termo poluição pode ser entendido como sendo a presença em alta concentração de substâncias ou de qualquer agente capaz de poluir. Podemos falar em diversos tipos de poluição: ambiental, sonora, visual, atmosférica, etc.

1. POLUIÇÃO AMBIENTAL

Várias atividades antrópicas estão relacionas com a poluição, tais como: lixo urbano, fumaça, resíduos hospitalares, industriais e até mesmo irresponsabilidade, como é o caso do césio 137 em Goiânia e do acidente nuclear na ex-União Soviética.Mas como podemos controlar tal poluição? O principal fator seria investir na prevenção, ou seja, na educação. Infelizmente, muitos estão acostumados a um simples gesto, que é de jogar um simples papel no chão. Mas, o que poucos sabem é que este simples papel acaba por engrandecer cada dia mais a chamada poluição.

2. POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

A poluição atmosférica parece se encontrar em todos os lugares. Nas ruas, na casa, no trabalho, etc. Mas de onde vem tanta poluição? Os principais responsáveis pela poluição atmosférica são: motores de veículos, indústrias, queima de combustíveis fósseis, queimadas, etc. A poluição é responsável pela liberação de diversos poluentes que, dependendo da concentração, podem causar a morte.Um dos poluentes mais perigosos, principalmente para os moradores de grandes cidades, é o monóxido de carbono (CO). Este gás é mais leve que o ar, e por isso sua concentração fica retida na camada inferior. Ele tem a capacidade de se ligar de forma irreversível à hemoglobina, elemento sanguíneo responsável pelo transporte de gases. Uma vez ligado à mesma, o oxigênio perde seu espaço no organismo, levando o indivíduo à asfixia.

Um outro gás extremamente perigoso é o dióxido de enxofre (SO2) proveniente principalmente da queima de combustíveis fósseis. Este gás, pode se juntar a um outro poluente, o dióxido de nitrogênio (NO2), e esta união resulta em um fenômeno chamado de chuva ácida, que pode levar a destruição de vegetações e corrosão de prédios. Isoladamente estes gases podem provocar bronquite, asma e enfisema pulmonar.

3. INVERSÃO TÉRMICA

Um processo muito comum é a inversão térmica. Em estado normal, as camadas mais baixas da atmosfera são mais quentes, pelo simples fato de absorverem calor irradiado pela superfície terrestre. Sabendo-se que o ar quente é menos denso que o ar frio, a tendência é que o ar quente suba levando consigo todas as partículas poluentes que ficam retidas. O ar quente que sobe é substituído pelo ar frio que desce, o qual se aquece e retorna o ciclo. Entretanto, em períodos de inverno, devido ao resfriamento da superfície terrestre, a camada mais baixa pode tornar-se também a mais fria, fazendo com que não haja a reciclagem de ar, e assim, as partículas que ficaram retidas no ar, ficam na superfície, prejudicando a saúde.
Inversão Térmica

4. EFEITO ESTUFA

Fenômeno natural que auxilia a manter a superfície terrestre aquecida. É um processo resultante da acumulação de gases como vapor de água, gás carbônico, metano e dióxido de enxofre. Entretanto, a ação do homem está aumentando e muito a emissão desses gases para a atmosfera, fazendo com que estes gases absorvam mais calor, e assim, aumentando a temperatura média terrestre. As conseqüências são visíveis.
Efeito Estufa

5. EFEITO ESTUFA E AQUECIMENTO GLOBAL

O aquecimento global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta) e tem preocupado a comunidade científica cada vez mais. Acredita-se que seja devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos em nível industrial, que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao Efeito Estufa, tais como o Dióxido de Carbono, o Metano, o Óxido de Azoto e os CFCs. Há muitas décadas que se sabe da capacidade que o Dióxido de Carbono tem para reter a radiação infravermelha do Sol na atmosfera, estabilizando assim a temperatura terrestre por meio do Efeito Estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade que continuou a produzir enormes quantidades deste e de outros gases de Efeito Estufa.


A grande preocupação é se os elevados índices de Dióxido de Carbono que se têm medido desde o século passado, e tendem a aumentar, podem vir a provocar um aumento na temperatura terrestre suficiente para trazer graves conseqüências à escala global, pondo em risco a sobrevivência dos seus habitantes. Na realidade, desde 1850 temos assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza. Tais flutuações têm ocorrido naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem sofrido, mas também é possível e mais provável que estas mudanças estejam sendo provocadas pelo aumento do Efeito Estufa, devido basicamente à atividade humana.Para que se pudesse compreender plenamente a causa deste aumento da temperatura média do planeta, foi necessário fazer estudos exaustivos da variabilidade natural do clima. Mudanças, como as estações do ano, às quais estamos perfeitamente habituados, não são motivos de preocupação. Na realidade, as oscilações anuais da temperatura que se têm verificado neste século estão bastante próximas das verificadas no século passado e, tendo os séculos XVI e XVII sido frios (numa escala de tempo bem mais curta do que engloba idades do gelo), o clima pode estar ainda a se recuperar dessa variação. Desta forma os cientistas não podem afirmar que o aumento de temperatura global esteja de alguma forma relacionada com um aumento do Efeito Estufa, mas, no caso dos seus modelos para o próximo século estarem corretos, os motivos para preocupação serão muitos. Segundo as medições da temperatura para épocas anteriores a 1860, desde quando se tem feito o registro das temperaturas em várias áreas de globo, as medidas puderam ser feitas a partir dos anéis de árvores, de sedimentos em lagos e nos gelos, o aumento de 2 a 6 ºC que se prevê para os próximos 100 anos seria maior do que qualquer aumento de temperatura alguma vez registrado desde o aparecimento da civilização humana na Terra.

Desta forma torna-se assim quase certo que o aumento da temperatura que estamos enfrentando é causado pelo Homem e não se trata de um fenômeno natural. No caso de não se tomarem medidas drásticas, de forma a controlar a emissão de gases de Efeito Estufa é quase certo que teremos que enfrentar um aumento da temperatura global que continuará indefinidamente, e cujos efeitos serão piores do que quaisquer efeitos provocados por flutuações naturais, o que quer dizer que iremos provavelmente assistir às maiores catástrofes naturais (agora causadas indiretamente pelo Homem) alguma vez registradas no planeta. A criação de legislação mais apropriada sobre a emissão dos gases poluentes é de certa forma complicada por também existirem fontes de Dióxido de Carbono naturais (o qual manteve a temperatura terrestre estável desde idades pré-históricas), o que torna também o estudo deste fenômeno ainda mais complexo. Há ainda a impossibilidade de comparar diretamente este aquecimento global com as mudanças de clima passadas devido à velocidade com que tudo está acontecendo. As analogias mais próximas que se podem estabelecer são com mudanças provocadas por alterações abruptas na circulação oceânica ou com o drástico arrefecimento global que levou à extinção dos dinossauros. O que existe em comum entre todas estas mudanças de clima são extinções em massa, por todo o planeta tanto no nível da fauna como da flora. Esta analogia vem reforçar os modelos estabelecidos, nos quais prevêem que tanto os ecossistemas naturais como as comunidades humanas mais dependentes.

Segundo André Trigueiro, em seu livro “Mundo Sustentável”, alguns pontos são de extrema importância para esclarecimentos: primeiramente, aquecimento global não é efeito estufa. O efeito estufa, como visto acima, é um fenômeno natural que assegura a manutenção da vida na Terra. Graças ao efeito estufa, ou seja, aos gases que compõem a atmosfera há milhares de anos, a temperatura média do planeta é em torno de 15°C. O aquecimento global é um fenômeno causado, entre outros fatores, pela queima de combustíveis fósseis e que agrava o efeito estufa. Um outro ponto importante levantado pelo autor é que o aquecimento global não tem nada a ver com a camada de ozônio. A camada de ozônio tem a função de proteger o planeta da radiação do sol. A camada de ozônio pode ser destruída pelo excesso de alguns gases do efeito estufa.


5. PROTOCOLO DE KYOTO

O artigo abaixo foi retirado da Folha de São Paulo, elaborado em 2005.

O Protocolo de Kyoto é um acordo internacional para reduzir as emissões de gases-estufa dos países industrializados e para garantir um modelo de desenvolvimento limpo aos países em desenvolvimento. O documento prevê que, entre 2008 e 2012, os países desenvolvidos reduzam suas emissões em 5,2% em relação aos níveis medidos em 1990. O tratado foi estabelecido em 1997 em Kyoto, Japão, e assinado por 84 países. Destes, cerca de 30 já o transformaram em lei. O pacto entrará em vigor depois que isso acontecer em pelo menos 55 países. O acordo impõe níveis diferenciados de reduções para 38 dos países considerados os principais emissores de dióxido de carbono e de outros cinco gases-estufa. Para os países da União Européia, foi estabelecida a redução de 8% com relação às emissões de gases em 1990. Para os Estados Unidos, a diminuição prevista foi de 7% e, para o Japão, de 6%. Para a China e os países em desenvolvimento, como o Brasil, Índia e México, ainda não foram estabelecidos níveis de redução. Além da redução das emissões de gases, o Protocolo de Kyoto estabelece outras medidas, como o estímulo à substituição do uso dos derivados de petróleo pelo da energia elétrica e do gás natural. Os Estados Unidos, o país que mais emite gases estufa, se retiraram do acordo em março de 2001.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou o acordo sobre o clima de Kyoto morto no início do ano. Apesar disso, 180 países se reunem em Bonn nesta semana para tentar salvar o plano. Saiba quais as posições de cada um deles e o que esperam obter.

Por que Bush optou por sair do acordo?

O presidente disse que o protocolo de Kyoto prejudicaria a economia dos EUA e seria injusto por não fixar metas de emissão de gases causadores do efeito-estufa para países como China e Índia. O documento foi assinado pelo governo Clinton, quando os EUA se comprometeram a diminuir suas emissões em 7% até 2012, em relação aos níveis de 1990.

A mudança na política dos EUA é realmente importante?

Sim. Os EUA são os maiores emissores de gases-estufa. Produzem cerca de um quarto do total mundial.

Então o protocolo de Kyoto está morto sem os EUA?

Não necessariamente. Sem o maior poluente do mundo, a capacidade de o tratado levar à redução das emissões fica enfraquecida. Há também o risco de o acordo não se tornar um documento com força legal, já que precisa ser ratificado por pelo menos 55 países.

Pode haver apoio ao plano sem a presença dos EUA?

A União Européia espera que sim. O bloco de 15 países diz que levará Kyoto adiante com ou sem os norte-americanos. Mas suas emissões correspondem apenas a 24,2% do total dos países desenvolvidos e eles precisam lutar para incluir países suficientes para manter a meta de redução de 55 por cento.

Além dos EUA e da União Européia, quem mais está na disputa?

A posição dos países que se aliaram aos EUA na negociações de Kyoto – Canadá, Austrália e Japão – é fundamental. A Austrália afirma que não seguirá as regras do protocolo sem os EUA. O Canadá ainda declara apoio a Kyoto, mas pede pelo retorno dos EUA. O Japão faz esforços diplomáticos para convencer Washington a retomar o acordo antes do encontro de Bonn e tenta manter vivo o pacto que leva o nome de sua antiga capital.

Qual a posição do Leste Europeu?

A Rússia, que emitiu 17,4 por cento dos níveis de CO2 dos países desenvolvidos em 1990, está dentro do programado para atingir a sua meta e teria benefícios econômicos se pudesse vender suas taxas de emissão economizadas. Os países da região que buscam entrar para União Européia não devem tentar fazer nada que prejudique Kyoto.

Como ficam os países em desenvolvimento?

Como eles não têm metas estabelecidas, a ratificação do acordo por eles é menos essencial para tornar as normas do protocolo obrigatórias legalmente. A maioria dos países em desenvolvimento vai apoiar o tratado se ele incluir verbas para ajudá-los a lidar com os problemas trazidos com as mudanças climáticas.

O que será decidido em Bonn, então?

A União Européia espera que detalhes sobre Kyoto possam ser definidos e que um número suficiente de países se comprometam a ratificá-lo até 2002.

E se não houver acordo?

Alguns dizem que isso seria o fim de Kyoto, embora a UE diga que novas negociações são possíveis depois de Bonn.

Mas e se o protocolo de Kyoto for abandonado?

Caso isso ocorra, a questão das mudanças climáticas causadas pelo efeito-estufa não vai desaparecer. Os governos podem tentar negociar um pacto diferente. Até mesmo Bush admitiu a existência dos riscos de aquecimento global e disse estar preparado a fazer algo sobre isso – mas não dentro dos parâmetros de Kyoto.

6. MERCADO DE CARBONO

O mercado de carbono visa a redução nas emissões dos gases de efeito estufa (créditos) e também o direito de emitir gases (mesadas). Cada emissão de gás de efeito estufa comercializado cria seu próprio mercado. Embora haja vários mercados diferentes, os maiores mercados são estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto. A comercialização desses créditos cria um novo mercado, no qual empresas e/ou paises que reduzirem suas emissões abaixo das metas estabelecidas podem comercializar o excedente para outras empresas ou países que não atingiram suas metas.

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