A Gravidez, Formação e Fases da Gestação Humana

Em humanos, a gravidez, também chamada de gestação, tem duração de aproximadamente 266 dias, ou nove meses. Um dos mamíferos com maior período gestacional é o elefante, com duração de aproximadamente 600 dias. Para fins de estudo iremos dividir a gestação em trimestres, totalizando três trimestres.

EMBRIOLOGIA

Feto na Barriga -Embriologia Gestação Gestante Gravida Gravidez  Bebê
Reprodução
1. FASES DA GESTAÇÃO

O primeiro trimestre da gestação corresponde aos primeiros três meses após a fecundação. Neste período, principalmente pelo fato do embrião sofrer rápidas divisões celulares e diferenciação, ele está mais sensível à radiações, drogas e substâncias químicas. Na mãe ocorrem grandes mudanças hormonais com aumento dos hormônios gonadotróficos que produzem maior quantidade de estrogênio e progesterona. Estes elevados níveis hormonais causam os típicos sintomas de gravidez: enjôo matinal, oscilações de humor, vômitos, taquicardia, palpitações, etc. No embrião os principais fatos e acontecimentos são:a) A Implantação do blastocisto no útero materno (6º dia após a fecundação);b) A placenta se desenvolve, os tecidos e órgãos do embrião começam a ser formados (2º mês);c) O coração humano começa a bater (2º mês);d) O embrião passa a ser chamado de feto (2º mês);

e) O feto já possui intestino, rins, fígado e pulmão (2º mês);

f ) Os membros começam a ser formados (entre o 2º e o 3º mês);

g) Já se dá para saber o sexo do feto (3º mês).

O segundo trimestre da gestação corresponde ao período entre o quarto e o quinto mês de gestação. Neste período, na mulher, os mamilos tendem a inchar mais e escurecer, assim como a pele das genitálias, os enjôos diminuem, diminui a produção do nível dos hormônios gonadotróficos na mulher, sendo que a produção de estrogênio e progesterona pela placenta aumenta. No feto os principais acontecimentos são:

a) Começam a nascerem os primeiros cabelos (4º mês);
b) O feto é sensível aos ruídos e se mexe com freqüência (4º mês);
c) Os músculos estão em atividade intensa (5º mês);
d) A pele está mais espessa (5º mês);
e) O feto começa a acumular gordura (6º mês);
f ) Já reage a dor (6º mês);
g) Fase final do desenvolvimento pulmonar (6º mês).

O terceiro trimestre corresponde ao período entre o sétimo e o nono mês de gravidez. A mãe cresce rapidamente neste período e, como os órgãos do feto crescem rapidamente, estes podem provocar pressões sobre os órgãos internos podendo causar indigestão e micção freqüente. A mãe começa a acumular mais líquidos podendo levar ao inchaço dos pés e tornozelos. Nos bebês as principais mudanças são:

a) O sistema digestivo começa a funcionar (7º mês);
b) Já distingue à luz, do escuro (7º mês);
c) O fígado já armazena glicogênio (8º mês);
d) Os rins produzem urina (8º mês).

O nono mês da gestação é marcado pelo chamado parto. O parto pode ser normal ou cesárea. Vamos conhecer melhor o chamado parto natural.

Durante a gestação, e principalmente no último mês a mulher é acometida de fortes contrações. Algumas destas contrações são falsas, entretanto, a verdadeira contração marca o início de trabalho do parto. Muitos fatores podem contribuir para o início deste processo. Estímulos hormonais e mecânicos aumentam a contratilidade do útero. A progesterona inibe enquanto que o estrogênio estimula as contrações do útero, juntamente com outro hormônio chamado de ocitocina. A ocitocina é estimulada principalmente pelos estímulos mecânicos como o estiramento do útero, e do crescimento máximo do feto. O primeiro estágio do trabalho de parto é caracterizado pelas fortes contrações que acabam a forçar a abertura do cérvix até que seja suficientemente grande para a passagem do bebê. Pode durar de oito a 12 horas. O segundo estágio envolve a expulsão do bebê que sai de cabeça para baixo. O mais difícil é a passagem da cabeça e dos ombros. Após ser retirado corta-se e amarra-se o cordão umbilical. Nesta etapa o bebê começa a respirar sozinho expelindo o líquido que ingeriu durante o parto. A placenta e as membranas fetais são expelidas pela mãe após o nascimento. Este processo pode levar até uma hora.

O parto cesárea envolve intervenção cirúrgica na mãe. A anestesia utilizada é denominada de peridural que atinge a coluna. No parto cesárea é feita uma incisão na parte de baixo do abdômen de modo que, o útero fique exposto. O útero então é aberto e a criança é retirada, juntamente com o cordão umbilical.

Temos que tomar cuidado com a chamada gestação ectópica. Esta ocorre quando, em condições anormais o blastocisto se implanta fora do útero. Na grande maioria destes casos, a gravidez ectópica ocorre na parede da tuba uterina. É uma gestação muito complicada que pode levar a morte da própria mãe.

2. FORMAÇÃO DE GÊMEOS

Em uma gestação, não muito raro, ocorre o nascimento de duas crianças. São os chamados gêmeos. Estes gêmeos podem ser diferentes entre si ou extremamente parecidos.

Os chamados gêmeos fraternos (dizigóticos) são os gêmeos considerados diferentes. Ocorre quando a mulher libera dois ou mais ovócitos e ambos são fecundados por diferentes espermatozóides. Ocorre então a formação de dois zigotos. Neste caso, as crianças poderão ou não ser do mesmo sexo e possuem características físicas diferentes. Durante a gestação poderão cada um ser alimentado por uma placenta, ou apresentarem uma única placenta. Este caso ocorre quando a implantação dos dois blastocistos ocorrerem em áreas uterinas bem próximas.

Os gêmeos monozigóticos são aqueles originários de um único zigoto. Neste caso, após a fecundação e formação do zigoto, este se divide em duas células que prosseguem o desenvolvimento independentemente uma da outra. Estes gêmeos obrigatoriamente apresentam o mesmo sexo e são extremamente parecidos fisicamente. Geralmente estes gêmeos compartilham a mesma placenta.

Existem ainda os chamados gêmeos unidos (siameses) onde os gêmeos monozigóticos são ligados por uma parte do corpo. Existem diversos graus de compartilhamento entre tecidos e órgãos. Há casos em que a cirurgia levaria à sobrevivência dos dois, entretanto, há também casos em que se exige o sacrifício de um.

Gêmeios Dizigóticos - Gestação Gravidez Embriologia
Reprodução
Figura 1. Gêmeos Dizigóticos
Gestação Gravidez Embriologia
Reprodução
Figura 2. Gêmeos Dizigóticos

3. DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

a) Sífilis (Cancro Duro): Causada pela bactéria Treponema pallidum é uma doença infectocontagiosa sistêmica (acomete todo o organismo), que evolui de forma crônica (lenta) e que tem períodos de acutização (manifesta-se agudamente), e períodos de latência (sem manifestações). Pode comprometer múltiplos órgãos (pele, olhos, ossos, sistema cardiovascular, sistema nervoso).
b) Cancro Mole: Causada por uma bactéria, provoca uma ulceração dolorosa, com a base mole, avermelhada, com fundo purulento que compromete principalmente a genitália externa, podendo também comprometer o ânus e mais raramente os lábios, a boca, a língua e a garganta. Estas feridas são muito contagiosas, auto-inoculáveis e, portanto, frequentemente múltiplas. Não é rara a associação do cancro mole e o cancro duro (sífilis primária).
c) Gonorréia: Doença infecto-contagiosa transmitida por uma bactéria, que se caracteriza pela presença de abundante secreção purulenta pela uretra no homem e na vagina e/ou uretra na mulher. Apresenta, geralmente, prurido (coceira) na uretra e ardência ao urinar. Em alguns casos podem ocorrer sintomas gerais, como a febre. Nas mulheres os sintomas são mais brandos, ou podem estar ausentes (maioria dos casos).
d) Candidíase: A candidíase, especialmente a candidíase vaginal, é uma das causas mais freqüentes de infecção genital. Caracteriza-se por prurido (coceira), ardor, dor na relação sexual e pela eliminação de um corrimento vaginal semelhante à nata do leite. Com freqüência, a vulva e a vagina encontram-se edemaciadas (inchadas) e hiperemiadas (avermelhadas). No homem apresenta-se com vermelhidão na glande e prepúcio e eventualmente por um leve edema e pela presença de pequenas lesões. Não é uma doença de transmissão exclusivamente sexual. Existem fatores que predispõe ao aparecimento da infecção: diabetes melitus, gravidez, uso de contraceptivos (anticoncepcionais) orais, uso de antibióticos e medicamentos imunosupressivos (que diminuem as defesas imunitárias do organismo), obesidade, uso de roupas justas etc.
e) Linfogranuloma Venéreo: Doença bacteriana, caracteriza-se pelo aparecimento de uma lesão genital (lesão primária) que tem curta duração e que se apresenta como uma ulceração ou como uma pápula (elevação da pele). Esta lesão é passageira (3 a 5 dias) e frequentemente não é identificada pelos pacientes, especialmente do sexo feminino. Após a cura desta lesão primária, em geral depois de duas a seis semanas, surge o bubão inguinal que é uma inchação dolorosa dos gânglios de uma das virilhas (70% das vezes é de um lado só). Se este bubão não for tratado adequadamente ele evolui para o rompimento espontâneo e formação de fístulas que drenam uma secreção purulenta.

AIDS

AIDS é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês – Human Immunodeficiency Virus. Não é uma doença congênita, e sim uma doença adquirida. O HIV destrói os linfócitos tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas.A AIDS não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Os sintomas iniciais são geralmente semelhantes e, além disso, comuns a várias outras doenças. São eles:

a) Febre persistente;

b) Calafrios;

c) Dor de cabeça;

d) Dor de garganta;

e) Dores musculares;

f ) Manchas na pele;

g) Gânglios ou ínguas embaixo do braço, no pescoço ou na virilha e que podem levar muito tempo para desaparecer.Com a progressão da doença e com o comprometimento do sistema imunológico do indivíduo, começam a surgir doenças oportunistas, tais como: tuberculose, pneumonia, alguns tipos de câncer, Candidíase; infecções do sistema nervoso (toxoplasmose e as meningites, por exemplo).

As principais formas de contágio são:

a) Sexo vaginal sem camisinha;

b) Sexo anal sem camisinha;

c) Sexo oral sem camisinha;

d) Uso da mesma seringa ou agulha por mais de uma pessoa;

e) Transfusão de sangue contaminado;

f ) Mãe infectada pode passar o HIV para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação;

g) Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Apesar de haver boatos, algumas maneiras são impossíveis de se transmitir

AIDS:

a) Sexo, desde que se use corretamente a camisinha;

b) Masturbação a dois;

c) Beijo no rosto ou na boca;

d) Suor e lágrima;

e) Picada de inseto;

f ) Aperto de mão ou abraço;

g) Talheres / copos;

h) Assento de ônibus;

i) Piscina, banheiros, pelo ar; doação de sangue; sabonete / toalha / lençóis.

No Brasil, já foram identificados cerca de 403 mil casos de AIDS. Este número refere-se a identificação do primeiro caso de AIDS, em 1980, até dezembro de 2005. A taxa de incidência foi crescente até metade da década de 90, alcançando, em 1998, cerca de 17 casos de AIDS por 100 mil habitantes. Os indicadores relacionados ao uso de preservativos mostram que aproximadamente 38% da população sexualmente ativa usaram preservativo na última relação sexual, independentemente da parceria. Este número chega a 57% quando se consideram apenas os jovens de 15 a 24 anos. A taxa de transmissão vertical do HIV pode chegar a 20%, ou seja, a cada 100 crianças nascidas de mães infectadas, 20 podem tornar-se HIV+. Com ações de prevenção, no entanto, a transmissão pode reduzir-se para menos de 1%. Pela Constituição do Brasil, os portadores do HIV, assim como todo e qualquer cidadão brasileiro, têm obrigações e direitos garantidos, tais como dignidade humana e acesso à saúde pública e, por isso, estão amparados pela lei. Em defesa dos grupos mais vulneráveis a discriminação – como é o caso de homossexuais, mulheres, negros, crianças, portadores de doenças crônicas infecciosas, idosos, portadores de deficiência, entre outros – há no Brasil Legislação focada nos direitos da pessoa humana.

Sobre admin