O Governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) – Resumo

Fernando Henrique Cardoso, apelidado nacionalmente de FHC, assumiu a presidência da República apoiado por uma confortável maioria no Congresso. Praticamente todos os grandes partidos o apoiavam, principalmente o PSDB e o PFL. Criador do Plano Real durante o Governo de Itamar Franco.

Fernando Henrique Cardoso (abreviado por FHC) nasceu no Rio de Janeiro em 1931, de família de classe média. Viveu a maior parte da vida em São Paulo. Formou-se em Sociologia e obteve o título de doutor, tornando-se professor da USP. Mais tarde, daria aulas em universidades na França, Inglaterra, EUA, Chile e Argentina. Escreveu livros importantes de pesquisa sociológica, entre eles Dependência e Desenvolvimento na América Latina (1969) junto com Enzo Faletto, no qual aborda as possibilidades de desenvolvimento dos países periféricos por meio da associação de interesses do capital nacional com o capital multinacional.
Na presidência do Senado estava o ex-presidente José Sarney (PMDB). As poucas exceções críticas a FHC eram o PT, o PDT e o PC do B. Apesar da ampla maioria no Congresso, não era fácil o presidente obter os votos necessários. Na verdade, toda vez que o governo queria que um projeto fosse apoiado pelo Congresso, tinha de oferecer alguma coisa em troca para seus aliados (geralmente, cargos importantes ou promessas de obras públicas), por mais que isso pudesse chocar o próprio FHC.
Os críticos diziam que as ligações de FHC com notórias figuras conservadoras revelavam que o presidente estava distante das ideias sociais defendidas no tempo em que era professor ou mesmo durante seu mandato de senador. O presidente argumentava que o mundo tinha mudado e que era necessário ventilar as ideias. E que a situação política exigia os compromissos com os políticos conservadores do Congresso, necessários para poder governar. Embora recusasse o rótulo de neoliberal, FHC adotou diversas medidas de caráter neoliberal: privatizou empresas estatais, liberou as importações e passou a tesoura nos gastos sociais.
 
Graças ao apoio do Congresso, FHC conseguiu a aprovação para inúmeras emendas constitucionais. Assim, o monopólio da Petrobras foi anulado, ou seja, ela tinha deixado de ser a única empresa no Brasil autorizada a explorar o petróleo. Agora, teria de enfrentar a concorrência estrangeira. A quebra do monopólio estatal também atingiu o setor de telecomunicações.

O governo FHC continuou a política iniciada com Collor de privatização das empresas estatais, apesar dos pro testos da oposição (PT, PC do B, PSB, PDT e partidos menores). Até mesmo a gigante Companhia Vale do Rio Doce (uma das maiores mineradoras do mundo) foi vendida para particulares. O governo foi acusado de vender as empresas estatais a preço muito baixo do que realmente valem.Senador (PMDB) teve papel importante na elaboração da nova Constituição. Ministro de Itamar Franco, liderou a introdução do Plano Real que estabilizou a moeda. Graças ao sucesso da queda da inflação, foi eleito presidente da República em 1994. Seu poder de sedução política levou o Congresso Nacional a admitir a reeleição presidencial. Ele alcançou seu objetivo em 1998 quando Lula foi derrotado pela segunda vez e iniciou o segundo mandato, encerrado em 2002.

O sucesso do Plano Real em conter a inflação fez FHC muito popular e ele foi reeleito presidente em 1998, apoiado por partidos conservadores como o PFL e o PPB (ligado a Maluf). Obteve mais de 53% dos votos válidos e com isso venceu no primeiro turno.

No segundo mandato, FHC continuou o programa de privatizações. Desta vez, foram vendidas as estatais de comunicações.

Em 1997, aconteceu a crise econômica na Ásia que atingiu vários países do Extremo-Oriente. Até a Rússia, cuja parte mais desenvolvida está na região europeia, sentiu grande impacto, levando b presidente Yeltsin a declarar a moratória (impossibilidade de pagar as prestações da dívida externa). O Brasil sentiu os efeitos da retração do mercado mundial. Para enfrentar os efeitos da recessão internacional, o governo desvalorizou o real.

A moeda brasileira, que era trocada com valor próximo do dólar, passou a valer apenas metade da moeda norte-americana. Com isso, caíram as importações (os produtos em dólar passaram a custar o dobro em reais) e melhoraram as exportações (era possível vender produtos brasileiros com preço em dólar mais baixo). A balança comercial brasileira podia ser positiva de novo.

As grandes empresas brasileiras se esforçaram para aumentar a eficiência numa economia cada vez mais globalizada. Investiram em máquinas modernas, tecnologia e treinamento de funcionários. Aumentaram a produtividade, ou seja, diminuíram o tempo de trabalho necessário para produzir. Caíram os custos, aumentaram os lucros. O problema é que essa modernização dispensou mão-de-obra. Eis um dos grandes problemas da economia brasileira no governo FHC: os altos índices de desemprego. Como a economia não crescia o suficiente para absorver a mão-de-obra, milhões de pessoas viveram o desespero de não ter como ganhar o pão de cada dia.

No final do mandato, FHC teve sua popularidade bastante diminuída por causa das dificuldades do país. O alto desemprego e o baixo crescimento econômico estavam na base de uma grande tensão social. A dívida pública ficou gigantesca, o que entrava em contradição com o resultado das vendas das estatais. Sem recursos para investir, ou sem interesse, o governo se viu diante da crise da falta de energia elétrica que provocou o apagão: o país inteiro teve que racionar energia. Mas o racionamento foi proporcional, o que significou que as casas mais ricas tinham permissão de gastar mais energia por mês do que as casas pobres.

Acusado de neoliberal, o governo de FHC não conseguiu diminuir as graves diferenças sociais do Brasil e os serviços públicos pioraram. As universidades federais passaram a receber tão poucos recursos que quase tiveram que parar. Apesar de o governo ter distribuído terras, a reforma agrária estava muito longe de ser completado, o que gerou muitos protestos do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST).

O desgaste do governo FHC impediu que ele fizesse o sucessor. Nas eleições de 2000, Luís Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da república, derrotando o rival mais próximo José Serra (PSDB). É o que veremos no capítulo final.

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