A Arábia é uma grande península que se situa entre a Ásia e a África, banhada pelo Mar Mediterrâneo ao Norte, Mar Vermelho a Oeste, Oceano Índico ao sul e o Golfo Pérsico a leste.
Os povos árabes dividiam-se em dois grupos principais:
Beduínos: povos que vagavam pela Arábia e na maioria das vezes faziam a ligação comercial entre a Arábia e o Extremo Oriente, trazendo diversos produtos dessas regiões.
Urbanos: Viviam nas cidades, principalmente no litoral, pois tinham como principal atividade econômica o comércio.
Apesar de haver vários povos na região, existia uma aproximação cultural entre eles: a língua e a religião são um exemplo. Os árabes eram politeístas e acreditavam em cerca de 360 deuses.
Para tentar unir as diversas religiões e crenças, foi construído na cidade de Meca um santuário religioso, a Caaba (casa de Deus), que continha em seu interior a Pedra Negra que acreditava-se ter sido trazida do céu pelo anjo Gabriel. A partir daí, Meca tornou-se a principal cidade da Arábia, pois milhares de pessoas peregrinavam todos os anos para visitar a Caaba.
Maomé
Maomé (570-632) pertencia à tribo dos que zelavam pela Kaaba. Aos 25 casou-se com Khadidja, rica viúva que o incumbiu de cuidar de suas atividades comerciais. Maomé mantinha contato com povos de várias regiões da Arábia, inclusive com os judeus e cristãos, o que o levou a estudar profundamente a religião.
Aos 40 anos, passou a ter várias visões que o levaram crer que era um profeta escolhido por Deus (Alá), para anunciar aos homens uma nova religião.
Quando começou a fazer suas pregações religiosas, enfrentou a ira dos sacerdotes de Meca, que não aceitavam a idéia de apenas um Deus. Por causa desses problemas, Maomé foi obrigado a deixar Meca e partir para Medina em 622. Essa data é chamada de Hégira e marca o início do calendário muçulmano. Em 630, organizado de um exército de seguidores, Maomé invadiu e conquistou Meca. A Caaba foi transformada num centro de orações e todos os cultos antes existentes foram proibidos.
As principais regras da doutrina islâmica resumem-se em alguns pontos:
• Crer em Alá, o único Deus, e em Maomé, seu profeta;
• Realizar cinco orações diárias;
• Dar esmolas.
• Obedecer ao jejum religioso no Ramadã (mês do jejum).
• Peregrinar até Meca pelo menos uma vez na vida.
Além disso, a religião muçulmana prega a total submissão a Alá. Essa submissão é conhecida como Islão (por isso islamismo). O livro que conta as revelações feitas por Alá a Maomé é o Alcorão.
A Expansão Muçulmana
Sabemos que a Arábia não formava um Estado, pois existiam várias tribos. A união das tribos árabes foi organizada por Maomé. A partir dessa nova organização, o Estado muçulmano passou a ser governado por califas, que, em sua maioria, eram ricos comerciantes. O califa detinha em suas mãos o poder político e religioso.
A expansão do Império Árabe foi motivada por alguns fatores. O primeiro deles é que a população árabe crescia rapidamente e, consequentemente, aumentava a necessidade de terras férteis para a sobrevivência. Um segundo fator está relacionado ao fanatismo religioso. Maomé pregava que ”A espada é a chave do céu e do inferno. Quem a desembainhar pela causa da fé islâmica será recompensado por Alá”, palavras que justificavam as tentativas de conquistas.
O primeiro momento da expansão ocorreu entre 632 (ano da morte de Maomé) e 661, quando foram conquistadas as regiões da Pérsia, Arábia, Palestina e Egito.
O segundo momento (661-750), é o período da dinastia dos califas Omíadas. Os muçulmanos avançaram até o noroeste da China, todo o norte da África e a Península Ibérica.
Os árabes sempre tentavam manter boas relações com as regiões invadidas; era imposto apenas o pagamento de tributos mais caros para aqueles que não se tornavam muçulmanos.