As principais fontes históricas de informações sobre o período entre a invasão dórica e a organização dos gené, plural de genos, foram os poemas atribuídos a Homero, Ilíada e Odisséia. O primeiro trata da Guerra de Tróia e do modo de vida dos gregos naquele momento; a Odisséia relata o retorno dos heróis da guerra e sobretudo a viagem de Ulisses.
Com a invasão dórica, ocorreu um retrocesso da produção material e cultural da região. O ativo comércio cretense e o micênico desapareceram, e as cidades foram abandonadas. Houve um retorno ao campo e à vida rural; a sociedade voltou a organizar-se em padrões mais simples.
Esta pintura em vaso grego retrata a passagem da Odisséia em que Ulisses, para resistir ao canto das sereias, pede que o amarrem ao mastro do navio.A sociedade grega nesse período homérico passou a se organizar em gené (espécie de clãs), por isso a chamamos de sociedade gentílica. Os genos era uma comunidade formada por uma grande família, chefiada pelo patriarca. Esses agrupamentos sociais conseguiam assegurar sua sobrevivência mediante uma atividade coletiva, ou seja, o trabalho, os bens e a produção eram propriedade de todos.
A produção coletia não foi capaz de acompanhar o aumento da população, gerando a fome. Diante desse quadro, os chefes de família e seus descendentes diretos acumularam as melhores terras, formando uma pequena aristocracia comandada pelo basileu (uma espécie de chefe militar e religioso), a qual se desenvolveu ao longo do tempo.A maioria empobrecida voltou-se para a atividade artesanal ou deslocou-se para outras regiões em busca de novas terras. Essa grave situação gerou disputas por terras entre as tribos, dando condições para a escravização das tribos vencidas. O processo de desagregação das sociedades gentílicas e de reunião dos gené resultou na estruturação das cidades-Estados.