Criado por FHC durante o Governo de Itamar Franco. A principal medida do plano foi criar uma nova moeda, o Real. Só que esse real passava a valer um pouquinho mais do que o dólar americano! Com a moeda brasileira supervalorizada, ficou fácil importar. As empresas aproveitaram para comprar máquinas, equipamentos e matérias-primas mais baratas.
A inflação no país prejudicava a maioria da população. Os preços aumentavam diariamente, mas você só recebia o salário no final do mês. Ou seja, a cada dia, o dinheiro que você tinha no bolso estava sendo desvalorizado. Para o pessoal da classe média, dava para se defender um pouco jogando em fundos de aplicação financeira (FAFs), que rendiam juros diários. Mas para a maioria do povo, sem conta em banco, os valores do dinheiro eram consumidos pelas altas de preços.Com o Real, a concorrência dos produtos estrangeiros que agora eram baratos, forçou os fabricantes brasileiros a produzir com maior eficácia para baixar o preço. O principal, porém, estava no fato de que o truque para segurar a inflação tinha sido a descoberta de um ponto sólido que todos aceitassem. Antes, o problema era: como chegar a um acordo antiinflacionário se cada empresário, cada sindicato, queria botar os preços e salários num nível? O ponto de acordo foi encontrado: o dólar, que todos reconheciam como uma moeda forte e estável. Pronto, o dólar seria a âncora, a referência absoluta para todos os preços. Era como se tudo tivesse sido cobrado em dólar, com uma diferença importante: o que valia aqui era a moeda brasileira, o Real.

O resultado inicial foi empolgante: a inflação desceu de modo espetacular. Os pobres descobriam que seu dinheiro não diminuía mais a cada dia. O que significava que, na prática, estavam ganhando mais. Podiam comprar a crédito por que as prestações eram as mesmas todos os meses.Todo mundo comprando, economia reaquecida. No ano de 1994, o país viveu um crescimento econômico que não era visto desde os anos 1980.O Plano Real melhorou a distribuição de renda no país? Sim, mas só um pouco. Em 1993, os 10% mais pobres tinham 0,7% da renda nacional, em 1997 já dividiam 1,1%, cerca de um quinto a mais. Mas isso nem de longe acabou com a miséria e a fome. Mas deixava uma esperança de melhoria. E tudo isso, amigo leitor, no ano de eleição para presidente da República. Alguma dúvida sobre o favorito?
O PT, que crescia eleitoralmente ano após ano e que se apresentava cada vez mais como o maior partido oposicionista, não percebeu a importância da queda da inflação. Seus dirigentes chegaram a declarar que a inflação nem era o maior problema do país, ou que o Plano Real não passava de uma armação eleitoral! Serviu de pretexto para a direção do PSDB responder que “se Lula for eleito, o Plano Real será extinto e a inflação retornará ao Brasil”.Para consolidar sua candidatura a presidente, FHC montou uma aliança com o maior partido do país, o conservador PFL, herdeiro do velho PDS. Com isso, estava garantido o apoio do Congresso ao Plano Real.
O PT ainda tentou apresentar a imagem de Lula como um político moderno, estadista recebido por grandes líderes políticos europeus, que nada tinha para assustar a classe média. Mas era bem difícil competir com a imagem do professor bem-sucedido,do ministro que criou um plano que tinha “acabado com a inflação”. As eleições presidenciais de 1994 nem precisaram de segundo turno. FHC venceu facilmente. Lula, em segundo lugar, veio bem depois. Nas eleições para governador, o PSDB também conseguiu grandes vitórias.