O Império Romano: A História do Império Romano iniciou-se por volta do ano 800 a.C., com a formação de povoações próximas ao rio Tibre, na região da planície fértil do Lácio. Existe uma lenda que conta a história do surgimento de Roma. Segundo a lenda, a cidade foi fundada por dois irmãos, Remo e Rômulo, que foram deixados pelo rei Amúlio num cesto no rio Tibre. Levado pela correnteza, o cesto com os irmãos gêmeos parou na beira do Monte Palatino. Os Bebês foram achados e criados por uma loba.
O império formado pelos romanos englobava quase todas as regiões do mundo conhecidas até então, e levou séculos para ser destruído.
A história do Império Romano divide-se em três períodos: Monárquico, Republicano e Imperial.
O Período Monárquico (753 a 509 a.C.)
Este primeiro período de Roma foi marcado principalmente pela invasão de vários povos daquela região da Península Itálica, principalmente os etruscos, que dominaram a cidade por cerca de 100 anos.
A sociedade romana dividia-se em grupos:
Patrícios (nobres): Eram descendentes das primeiras famílias de Roma. Grandes proprietários de terras.
Clientes: Não eram de origem patrícia, mas tinham muitos pactos com os patrícios, recebendo dinheiro e produção.
Plebeus: eram a maior parte da população. Em sua maioria eram pequenos agricultores e artesãos.
Escravos: Não tinham nenhum direito.
O desagrado com o governo dos reis fez com que os romanos derrubassem o rei Tarqüínio, o Soberbo, e fundassem uma República.
O Período Republicano (509 a 27 a.C.)
Com a destituição do rei Tarqüínio, o poder passou das mãos dos etruscos para os patrícios. A palavra República vem do latim (Respública) e significa coisa pública, ou seja, o governo existe para ajudar a população e não oprimi-la. Mais do que isso, com a instituição da República, havia uma maior participação da população nas decisões que deveriam ser tomadas pelo governo.
Entretanto, como o controle do governo passou das mãos dos etruscos para os patrícios, a situação não mudou muito. O patrícios, que tinham total controle sobre o poder político, militar e religioso, fizeram leis que sempre os favoreciam. Os plebeus, novamente, ”pagaram a conta”, sofreram com altos impostos e a obrigatoriedade de servir o exército. Outro problema enfrentado pelos plebeus era que as leis não eram escritas e podiam ser mudadas pelos patrícios a qualquer momento.
O governo funcionava da seguinte maneira: em vez de existir um rei, existiam dois cônsules que eram escolhidos por um conselho e governavam durante um ano. Esse Conselho, conhecido como Senado, era composto por trezentos membros de origem patrícia. Com o aumento das desigualdades e da opressão sofrida pelos plebeus, ocorreram várias revoltas entre patrícios e plebeus. Após algumas décadas de lutas (ocorreram durante os séculos V e IV a.C.) os plebeus conseguiram algumas melhorias, como, por exemplo, eleger membros para contestar medidas adotadas pelo senado, surgindo o VETO (proibido). Também conseguiram a Lei das Doze Tábuas, que definia por escrito a Legislação Romana.
Durante o Período Republicano inicia-se a colonização romana. Até mais ou menos 270 a.C., os romanos conquistaram toda a Península Itálica e iniciaram a colonização pelo Mar Mediterrâneo. No processo de colonização, os romanos se depararam com a cidade de Cartago no norte da África, dando início às Guerra Púnicas.
As Guerras Púnicas
A cidade de Cartago, atual Túnis, capital da Tunísia, foi fundada no séc. IX a.C. Pelos fenícios que eram uma grande potência marítima, comercial e militar. Tanto Roma como Cartago tinham pretensões de aumentar seus territórios. Durante o séc. III a.C. os ânimos se acirraram, desembocando na primeira Guerra Púnica (Púnica: palavra que vem do latim Poeni = cartagineses).
Na Primeira Guerra Púnica (264 a 241 a.C.) os romanos derrotaram os cartaginesses. Alguns anos depois, comandados por Amílcar Barca, conquistaram a Espanha e com um grande Exército, atacaram Roma pelo norte; os romanos perderam mais de 50.000 soldados. Foi a Segunda Guerra Púnica (218 a 202 a.C.). A Terceira Guerra Púnica ocorreu entre 150 e 146 a.C., após vários pequenas confrontos. Na terceira guerra os romanos destruíram completamente Cartago e tornaram mais de 40.000 cartagineses escravos.
Com a expansão do território romano, alguns grupos começaram a enriquecer de maneira extraordinária; esse foi o caso dos comerciantes. A partir do século I a.C., todas regiões do Mediterrâneo estavam nas mãos dos romanos. A cidade de Roma cresceu de maneira fantástica; o êxodo rural foi enorme neste período, levando a uma enorme massa de desempregados e a novas revoltas em Roma. Os patrícios não abriam mão de sua riqueza, piorando a situação.
Alguns homens destacaram-se na tentativa de resolver os problemas sociais de Roma. Entre eles, os irmãos Tibério e Caio Graco, que formularam leis que distribuíam terras para os pobres (reforma agrária).
Júlio César
No ano 60 a.C. o governo foi dado a três cônsules: Crasso, Pompeu e Júlio César. Em 53 a.C., Crasso morreu em campanha no Oriente. César e Pompeu passaram a disputar o poder e César saiu vitorioso.
Júlio César fez grandes reformas enquanto Cônsul: estabeleceu relações amistosas com as colônias, a fim de conseguir apoio, tentou melhorar a vida dos soldados melhorando o soldo (salário). Limitou o poder dos governantes das províncias para evitar revoltas. Investigou denúncias de corrupção. Fez distribuição de terras para plebeus. Construiu grandes obras públicas como o aqueduto, as termas e rede de esgotos.
Diante dessa situação, Júlio César ganhou grande apoio popular e muitos inimigos patrícios no Senado, levando ao seu filho adotivo, Brutus a assassiná-lo em 15 de março de 44 a.C. (originando a célebre frase: Tu quoque, Brutus – Até tu, Brutus!).
Com a morte de César foi formado um novo triunvirato (governo de três) por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Com a morte de Marco Antônio e Lépido, Otávio tornou-se o único governante e recebendo o título de Augusto (divino), iniciando-se assim o Período Imperial.
O Império
Do início do governo de Otávio Augusto até o século II d.C., o Império Romano viveu um período de certa tranquilidade, que foi donominado Pax Romana (Paz Romana). O território que pertencia a Roma englobava regiões da Ásia, do norte da África e da Europa. Desenvolveu-se então um grande sistema viário que ligava Roma às suas províncias, fato que originou o ditado ”Todos os caminhos levam a Roma”.
Consequêcias das Conquistas
Essas conquistas militares provocaram profundas mudanças na vida econômica, social e política de Roma.
Devido à enorme facilidade em se obter riquezas nas áreas conquistadas, o comércio exterior romano cresceu enormente. As províncias forneciam ouro, prata, cereais, artigos de luxo e grandes quantidades de escravos.
A economia romana, que nos tempos da Monarquia era baseada na agricultura e no pastoreiro, transformou-se numa economia essencialmente mercantil, de base monetária.
No plano social ocorreram as seguintes mudanças:
- O surgimento dos ”homens novos”, nome que se dava aos plebeus que tinham conseguido enriquecer por meio do comércio exterior, da exploração de minérios ou da cobrança de impostos nas áreas conquistadas.
- O empobrecimento dos pequenos proprietários, obrigados a se engajar no exército romano por longos períodos.
A Decadência do Império Romano
O Império, apesar de ser enorme e de ter absoluto poder militar sobre todas as regiões, começou a enfreentar sérias crises, inclusive dentro da própria Roma. Os gastos administrativos e militares tornaram-se insustentáveis, os aumentos de impostos descontentaram a população, além da grande massa de miseráveis que viviam em Roma.
A corrupção na política também foi um fator decisivo para agravar a crise.
A decadência de Roma, a partir do século III da Era Cristã, não significou a queda de todo o Império. A parte oriental, que tinha Bizâncio como principal cidade, prosperava cada vez mais. Isso fez com que o Império fosse dividido em duas partes: o Império Romano Ocidental e o Império Romano Oriental. O Império do Ocidente foi destruído no século V e o Império do Oriente durou mais 1.000 anos, sendo destuído apenas no século XV.
A Invasão dos Bárbaros
Bárbaros, para os romanos, eram todos os povos que viviam além das fronteiras do Império, ou seja, todos aqueles que não viviam no Império e não tinham a cultura romana. No início da Era Cristã, os romanos buscaram manter boas relações com os povos bárbaros. Apesar de ocorrerem alguns conflitos, os romanos davam terras para os bárbaros, que em troca protegiam as fronteiras do Império. Esse relaciomento refletia a decadência de Roma, que não conseguia mais proteger suas fronteiras. Muitos bárbaros que viviam na fronteira engajaram-se no exército romano. Alguns tornaram-se oficiais e conhecendo as táticas de guerra romanas, deixaram Roma em desvantagem.
As invasões bárbaras iniciaram-se no século IV. Os primeiros a invadirem Roma foram os visigodos; depois vieram os francos, lombardos, vândalos, suevos, eslavos e hunos. Tempos depois vieram os anglos e os saxões. Com a invasão dos bárbaros, o Império do Ocidente foi totalmente destruío e fragmentado entre os vários povos que invadiram Roma.
O Império Romano Oriental ou Império Bizantino
O Império Bizantino tem esse nome por causa da cidade de Bizâncio, fundada por marinheiros de Megara. A cidade de Bizâncio, localizada no estreito de Bósforo, que liga o mar Egeu ao mar Negro teve importância fundamental para o Império desde antes da divisão. Tinha uma excelente localização geográfica e era um dos pontos mais importantes de ligação entre Ocidente e Oriente. No século IV, o Imperador Constantino fez grandes reformas, transformando grande parte da arquitetura da cidade e dando a ela um novo nome: Nova Roma. A idéia de dar esse nome não deu certo, pois os moradores da cidade passaram a chamá-la de Constantinopla.
O Governo de Justiniano (557-566)
Um dos governantes mais marcantes de todo o período de duração do Império Oriental foi Justiniano. Apesar de o Império Bizantino ter sofrido bem menos invasões bárbaras do que a parte ocidental, o Império Justiniano moveu várias guerras para reconquistar territórios tanto orientais como ocidentais que haviam sido perdidos para os bárbaros. Com as guerras elevaram-se os impostos e o descontentamento popular, levando a algumas revoltas e que foram esmagadas por Justiniano levando à morte mais de 35.000 populares. A partir daí, tanto o controle da política como da religião passaram para as mãos do Imperador, sugindo o Cesaropapismo.
No entanto, uma das coisas mais importantes feitas por Justiniano foi a formulação de um código de leis que deveriam vigorar igualmente para todos. Na realidade, grande parte das leis foram apenas ”recapituladas”, pois já faziam parte do Direito Romano Clássico, algumas de cujas leis vigoram até hoje em alguns países. Esse conjunto de leis ficou conhecido como corpo de Direito Civil, que engloba o Digesto, as Institutas e o Código Justiniano.
As Artes
O estilo artístico que surgiu em Constantinopla marcou toda a vida cultural tanto do Ocidente quanto do Oriente, durante praticamente todo o período medieval. A arquitetura bizantina pode ser considerada a arte mais marcante e a mais difundida durante todo esse período. Pode-se destacar a igreja de Santa Sofia como o marco deste estilo que é encontrado em várias regiões da Europa e do Oriente Médio.
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