Santa Rita Durão – Biografia, Vida e Obra, Arcadismo

Frei José de Santa Rita Durão nasceu em 1722, em Minas Gerais e morreu em 1784, em Lisboa. Frei da ordem de Santo Agostinho, segue fielmente o modelo camoniano. “Caramuru” foi publicado em 1781 e é dividido em 10 cantos, apresentando como o Uraguai as cinco partes da epopéia tradicional: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

“Caramuru” – Poema épico sobre lenda do descobrimento da Bahia – aborda a aculturação dos nativos ao homem branco quando da conquista da Bahia pelo português Diogo Álvares Correia, chamado de Caramuru (filho do Trovão). O poema descreve a paisagem brasileira, a fauna, a flora; os costumes e as tradições indígenas (nativismo).

Valoriza a vida natural, mais pura e distante da corrupção. Não usa mitologia pagã.

Copiosa multidão da nau francesa Corre a ver o espetáculo, assombrada; E ignorando a ocasião da estranha empresa, Pasma da turba feminil, que nada. Uma que às mais precede em gentileza, Não vinha menos bela, do que irada; Era Moema, que de inveja geme, E já vizinha à nau se apega ao leme.

- “Bárbaro (a bela diz:) tigre e não homem…
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor, que enfim o domem; Só a ti não domou, por mais que eu te ame. Fúrias,
raios, coriscos, que o ar consomem, Como não consumis aquele infame? Mas pagar tanto
amor com tédio e asco… Ah! que coriscoés tu… raio… penhasco!

Bem puderas, cruel; ter sido esquivo,
Quando eu a fé rendia ao teu engano;
Nem me ofenderas a Escutar-me altivo. Que é lavor, dado à tempo, um desengano. Porém,
deixando o coração cativo, Com fazer-te a meus rogos sempre humano, Fugiste-me, traidor,
e desta sorte Paga meu fino amor tão crua morte?

Enfim, tens coração de ver-me aflita,
Flutuar, moribunda, entre estas ondas;
A um ai somente, com que aos meus respondas.
Bárbaro, se está fé teu peito irrita,
Nem o passado amor teu peito incita
(Disse, vendo-o fugir) ah! não te escondas
Dispara sobre mim teu cruel raio…”
E indo a dizer ó mais, cai num desmaio.

Perde o lume dos olhos, pasma e treme, Pálida a cor, o aspecto moribundo; Com mão já sem vigor, soltando o leme, Entre as salsas escumas desce ao fundo. Mas na onda domar,
que, irado, freme, Tornando a aparecer desde o profundo,
– Ah! Diogo cruel! – disse com mágoa, -E sem mais vista ser, sorveu-se na água.

SETECENTISMO BRASILEIRO

– Linguagem simples

– Bucolismo (exaltação da natureza)

– Pastoralismo (pessoas humildes e simples)

– Contenção emocional

– Racionalismo – razão predomina sobre emoção

– Objetivismo

– Retorno à tradição clássica (referências a entidades mitológicas)

– Uso de pseudônimos pastoris

– Lampejos nativistas (paisagem e homem da terra)

– Ciclo da mineração

– Traços pré-românticos (sentimento + convenções árcades)

– Diversidade de gêneros literários.

ÉPICO: O Uraguai (traços indianistas)
Excerto

O irado monstro, e em tortuosos giros Se enrosca no cipreste, e verte envolto Em negro sangue o lívido veneno. Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la Conhece, com que dor! no frio rosto Os sinais do veneno, e vê ferido Pelo dente sutil o brando peito. Os olhos, em que Amor reinava, um dia, Cheios de morte; e muda aquela língua, Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história de seus males.

Nos olhos Caitutu não sofre o pranto, E rompe em profundíssimos suspiros, Lendo na testa da fronteira gruta De sua mão já trêmula gravado O alheio crime, e a voluntária morte. E por todas as partes repetido O suspirado nome de Cacambo. Inda conserva o pálido semblante Um não sei quê de magoado, e triste, Que os corações mais duros enternece. Tanto era bela no seu rosto a morte!

LÍRICO: Marília de Dirceu
(bucolismo + individualismo)

Chamei-lhe um dia formoso; ele, ouvindo os seus louvores, com um modo desdenhoso se sorriu e não falou. Pintei-lhe outra vez o estado, em que estava esta alma posta; não me
deu também respoeta. Constrangeu-se e suspirou.

II

Conheço os sinais; e logo animado da esperança, busco dar um desafogo ao cansado coração. Pego em seus dedos nevados, e querendo dar-lhe um beijo, cobriu-se todo de pejo
e fugiu-me com a mão.

III

Tu, Marília, agora vendo de Amor o lindo retraio, contigo estarás dizendo que é este o
retraio teu. Sim, Marília, a cópia é tua, que Cupido é deus suposto; se há Cupido, é só teu
rosto, que ele foi quem me venceu.

SATÍRICO: Cartas Chilenas (criticismo + política)

Autor: Tomás Antônio Gonzaga (Obra atribuída)

Agora, Doroteu, atende e pasma:
por um simples despacho, manda o chefe
que o triste padecente se recolha.
Assenta: vale tanto, lá na cone,
um grande – El Rei – impresso, quanto vale
em Chile um – Como pode – e o seu garrancho.

Aonde, louco chefe aonde corres
sem tino e sem conselho? Quem te inpira
que remitir as penas é virtude?
e, ainda a ser virtude, quem te disse
que não é das virtudes que só pode,
benigna, exercitara mão augusta?

Os chefes, bem que chefes, são vassalos, e os vassalos não têm poder supremo. O mesmo grande Jove, que modera o mar, a terra e o céu, não pode tudo, que ao justo só se estende o seu império.

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